Uma possível fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) ainda não foi confirmada, mas acendeu o alerta da Polícia Federal (PF), que, até o momento, não conseguiu contato com o candidato derrotado. Flávio é alvo de investigações e recebeu ordens do Supremo Tribunal Federal (STF) para entregar seus passaportes. O prazo determinado pelo ministro Alexandre de Moraes era de 24 horas, mas não foi cumprido.
Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Thiago Esteves, professor de sociologia da Universidade Federal de Ciência e Inovação do Rio de Janeiro, avalia que uma possível fuga de Flávio seria uma “assinatura de que tem alguma culpa no cartório”. Esteves lembra que o senador está implicado em uma série de crimes, como as rachadinhas quando ainda era deputado estadual, e até suspeitas mais recentes envolvendo relações com o banqueiro preso Daniel Vorcaro e o advogado Willer Tomaz, que está foragido. “Ele assinou sua sentença de culpa”, resume.
“São situações muito graves que precisam ser esclarecidas. Essa notícia de que ele fugiu do Brasil e pode estar na Argentina é algo muito grave. Isso precisa ser resolvido pela PF e pelo Judiciário brasileiro”, afirma. “Já era esperado que Flávio fosse tentar sair do Brasil, tanto é que a PF, após a promulgação do resultado, entra no STF para retenção dos passaportes”, continua.
O professor também destaca que a possível fuga se dá porque Flávio vai perder o foro privilegiado, já que seu mandato de senador acaba em 31 de janeiro. “Ele está fugindo porque sabe muito bem o que ele fez. Sem imunidade parlamentar, os malfeitos que ele, porventura, tenha cometido serão investigados”, ressalta.
Thiago Esteves também comenta a determinação do ministro do STF Flávio Dino, nesta terça-feira (27), de investigar possível financiamento estrangeiro da campanha de Flávio Bolsonaro. A apuração também vai averiguar o suposto uso de plataformas digitais para beneficiar o candidato do PL e o interesse de grupos internacionais em minerais estratégicos e terras raras no Brasil.
“Temos o mundo inteiro olhando o que as big techs estão fazendo no Brasil, e isso só fortalece o discurso de que a gente precisa regular as big techs e buscar independência dessas empresas, donas das redes sociais. A gente precisa criar alternativas próprias que tenham capital nacional e que sejam geridas pelo próprio Estado ou por empresas brasileiras, de modo que a gente possa de fato exercer um controle das informações dos brasileiros que circulam no Brasil”, aponta.
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