ESCOLHAS POLÍTICAS

Zucco (PL) anuncia secretários com executivo do agronegócio, general e fusão de pastas no RS

Desenvolvimento Rural será incorporado à Agricultura e sistema prisional à Segurança; governo prevê entre 15 e 20 pastas

Governador eleito do RS anunciou os primeiros secretários nesta terça-feira (27), no Instituto Caldeira, em Porto Alegre
Governador eleito do RS anunciou os primeiros secretários nesta terça-feira (27), no Instituto Caldeira, em Porto Alegre | Crédito: Mateus Raugust

O governador eleito do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL), anunciou nesta terça-feira (27) os cinco primeiros secretários do próximo governo, entre eles um ex-presidente da John Deere e um general que participou da intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro. A apresentação também confirmou a incorporação do Desenvolvimento Rural à Agricultura e do sistema prisional à Segurança Pública.

Foram escolhidos Leandro Sonne para a Casa Civil; Paulo Herrmann para Agricultura e Desenvolvimento Rural; Roni Miranda Vieira para Educação; Liliana Cardoso para Cultura; e Mauro Sinott Lopes para Segurança Pública. Os indicados passam a participar da transição e assumirão em janeiro de 2027.

Zucco apresentou as escolhas para o governo como sendo o cumprimento da promessa de um governo técnico. “Em política, nenhum governo bem-sucedido se sustenta sem esses dois pilares”, disse, ao defender a combinação de conhecimento técnico e habilidade política. Questionado sobre a composição, confirmou que também convidará parlamentares para secretarias.

A estrutura do governo deverá ter entre 15 e 20 secretarias. Segundo Zucco, pastas que reunirem diferentes áreas contarão com subsecretários.

Agronegócio e Desenvolvimento Rural

A Agricultura, que absorverá a pasta de Desenvolvimento Rural, ficará sob o comando de Paulo Herrmann, ex-presidente da fabricante de máquinas agrícolas John Deere no Brasil, cargo que ocupou entre 2012 e 2022. O executivo tem mais de 40 anos de atuação no agronegócio.

“Quero aproveitar o melhor que tem nas duas secretarias, a ideia não é causar disrupção”, afirmou Herrmann. Na apresentação, não detalhou políticas para a agricultura familiar nem como será organizada a estrutura após a fusão.

Educação sem anúncio de valorização salarial

Atual secretário de Educação do Paraná, Roni Miranda Vieira foi escolhido após Zucco apresentar a rede paranaense como referência durante a campanha, incluindo a promessa de ampliar escolas cívico-militares no estado. O modelo é criticado por entidades da educação, que apontam riscos à gestão democrática e à liberdade no ambiente escolar.

Vieira também mencionou a orientação de trabalhar a prevenção dos feminicídios nas escolas, “de forma transversal em todos os componentes curriculares”.

Questionado sobre valorização dos professores, o governador eleito não anunciou medidas salariais ou de carreira. Falou em reduzir a burocracia e as planilhas exigidas dos docentes e afirmou que o secretário apresentará propostas após conhecer a situação da pasta.

General na Segurança e continuidade de Ikeda

O general da reserva Mauro Sinott Lopes assumirá a Segurança Pública, que também concentrará o sistema prisional. Ele foi secretário executivo da intervenção federal no Rio de Janeiro, em 2018, comandou a Força de Pacificação do Complexo da Maré e atuou em operações de Garantia da Lei e da Ordem na Rocinha, em um contexto de militarização da segurança marcado por denúncias de violações de direitos humanos.

“O nosso propósito é dar continuidade a esse trabalho que hoje acontece”, afirmou Lopes, em referência à atual gestão da Segurança Pública. O general também ressaltou a necessidade de enfrentar os feminicídios e melhorar a segurança das pessoas nas ruas. Zucco anunciou que o coronel Mário Ikeda permanecerá como secretário adjunto.

Um subsecretário deverá cuidar do sistema prisional. Sobre feminicídios, o governador eleito apresentou três eixos: prevenção nas escolas, acolhimento das vítimas e “tolerância zero” contra agressores. As medidas não foram detalhadas.

Cultura terá participação da esposa de Zucco

Atual secretária de Cultura e Economia Criativa de Porto Alegre, Liliana Cardoso foi anunciada para a Cultura estadual. Declamadora, radialista e apresentadora, tem trajetória ligada ao tradicionalismo.

A futura secretária defendeu a “transversalidade com o movimento tradicionalista gaúcho” e com “as culturas populares”. Zucco prometeu destaque ao tradicionalismo, mencionou carnaval e hip-hop e disse que sua esposa, Joyce Zucco, presidente do PL Mulher de Porto Alegre, atuará junto à pasta, sem explicar qual função exercerá.

Casa Civil e políticas sociais

Servidor estadual e coordenador da bancada do Republicanos na Assembleia Legislativa, Leandro Sonne assumirá a Casa Civil. “Muita pressão, dificuldades, ajustes com o governo, com a Assembleia, tem que ter uma boa relação, a gente vai buscar isso”, afirmou.

Zucco também confirmou que o coordenador da transição, Leonardo Pascoal, receberá um convite para integrar o governo, mas não informou o cargo.

Perguntado sobre estruturas para quilombolas, indígenas, combate ao racismo, população LGBTQIA+ e proteção animal, o governador eleito não apresentou definições. Afirmou que anunciará “um nome muito qualificado”, mas não esclareceu quais áreas ficarão sob responsabilidade dessa pessoa.

Relação com Lula e questionamentos à eleição

Questionado diretamente sobre o reconhecimento da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Zucco afirmou que tratará com o presidente reeleito, mas voltou a lançar suspeitas sobre o processo eleitoral. “O TSE reconheceu institucionalmente a vitória do presidente Lula e é com ele que nós vamos tratar”, respondeu, em referência ao Tribunal Superior Eleitoral.

Sem parabenizar Lula, o governador eleito disse ter considerado “muito estranho” o horário da decisão que ampliou a votação. A medida buscou atender eleitores prejudicados pela falta de transporte. A própria campanha de Flávio Bolsonaro (PL) também havia solicitado extensão do horário, alegando dificuldades de deslocamento provocadas pelas chuvas.

Perguntado sobre a fuga de Flávio Bolsonaro do país, disse não ter conversado com o aliado: “Não falei com ele, não tenho nenhuma informação”. Em seguida, questionou a ordem de entrega dos passaportes: “Fariam o mesmo se ele tivesse ganho?”.

A determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), integra uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz. O senador não entregou os documentos no prazo determinado e fugiu do Brasil rumo aos Estados Unidos, apesar da proibição judicial de sair do país.

Editado por: Katia Marko

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