A área externa do Museu Nacional da República se prepara para receber a 2ª Parada do Orgulho da Pessoa com Deficiência (PcD) Brasília neste sábado (31), a partir das 12h. O objetivo da iniciativa é combater preconceitos, celebrar a diversidade e promover a acessibilidade de pessoas com deficiência.
A edição deste ano será em formato pocket, com a estrutura reduzida, devido ao período eleitoral que terminou no último domingo (25). A escolha de realizar o evento em frente ao Museu Nacional foi tomada em razão do espaço ter sido palco de diversas manifestações políticas em defesa da democracia nas últimas semanas. No DF, a primeira edição do evento ocorreu em 2024. Até o momento, a Parada já percorreu São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Salvador.
Segundo o diretor de comunicação e tecnologia da Parada, Miccael Grandis, o evento surge para quebrar estereótipos e promover o convívio entre pessoas invisibilizadas que compartilham as mesmas condições. “Muitas pessoas com deficiência crescem achando que têm que ficar quietinhas no canto, agradecer quando alguém ajuda e não pedir muito. A parada vem para contestar isso: ali a gente sobe no palco, canta, dança, fala no microfone. É aí que a inclusão acontece de verdade, quando a pessoa percebe que não está sozinha”, afirma em entrevista ao Brasil de Fato DF.
Miccael, que é surdo e autista, também chama a atenção para dificuldades cotidianas enfrentadas por pessoas com deficiência. “Brasília foi feita para o carro. Para quem usa cadeira de rodas, tem baixa visão ou depende de ônibus para vir de outra região administrativa, chegar a qualquer lugar já cansa. E ainda tem a cultura: quantos shows, peças e exposições em Brasília têm Libras, audiodescrição ou um cuidado sensorial?”, questiona.
“A Lei Brasileira de Inclusão existe desde 2015. O que falta é fiscalização e investimento. Acessibilidade tem que estar no orçamento desde o começo, e não aparecer como gasto extra no fim. Ela não é apenas para pessoas com deficiência, é para todos”, finaliza.
Pessoas com deficiência no DF
Dados mais recentes do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPE-DF) mostram que, em 2022, o número de pessoas com deficiência na capital era de 113.642, o equivalente a 3,8% da população local. A deficiência visual é a mais recorrente, atingindo 43,2% do público com deficiência.
No campo da educação, a pesquisa constatou que apenas 13,8% das pessoas com deficiência com 25 anos ou mais concluíram o ensino superior. Já entre pessoas sem deficiência, o percentual atingiu 35,9%, uma desigualdade de 22,1%.
Os desequilíbrios também se refletem no mercado de trabalho. A renda média do trabalho principal das PcDs é de R$ 2.246,96, enquanto a das pessoas sem deficiência chega a R$ 3.817,52. Além disso, apenas 24,5% das pessoas com deficiência estavam ocupadas, menos da metade da proporção registrada entre pessoas sem deficiência, de 50,5%.
Serviço
2ª Parada do Orgulho da Pessoa com Deficiência
Data: sábado (31)
Localização: área externa do Museu Nacional
Horário: 12h
Entrada: livre
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