A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) teve ajuda direta da Argentina — já que o candidato derrotado saiu do país por terra — e dos Estados Unidos, que deram visto para ele e sua família. Flávio fugiu do Brasil depois que descumpriu a ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de entregar os passaportes. Na tarde desta quarta-feira (28), Flávio divulgou uma carta golpista em que se autointitula presidente eleito e faz menção aos “Estados Unidos do Brazil”.
Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a analista internacional Ana Carolina Marson, professora de Relações Internacionais da Fundação Escola de Sociologia e Política (FESPSP), explica que, do ponto de vista do direito internacional, a partir do momento em que Flávio entrou nos Estados Unidos e foi aceito por Donald Trump, dificilmente ele será deportado, mesmo com pedidos do Brasil e da própria oposição ao governo estadunidense.
“Trump falou em asilo político e deu um visto que garante que ele [Flávio] não seja deportado. Então, por mais que ele perca o seu foro privilegiado a partir do ano que vem e enfrente essas acusações, esses julgamentos, ele estando nos Estados Unidos, caso o Donald Trump se recuse a deportá-lo — que parece o movimento que vai acontecer — não tem muito que o Brasil possa fazer”, pontua.
Marson compara a situação atual de Flávio à de Carla Zambelli, na Itália. “Ela fugiu, foi para a Itália, foi presa, depois foi libertada, mas, apesar de todos os pedidos do governo brasileiro, não foi deportada para o país. O processo contra o Flávio Bolsonaro vai correr aqui no Brasil, mas, como ele está em solo estadunidense, a questão agora é entender como o governo Trump vai agir em relação a isso”, avalia.
A analista aponta Marco Rubio como principal âncora das ações do bolsonarismo no país e ressalta a atuação do secretário de Estado nos episódios de asfixia energética de Cuba e no ataque à Venezuela e sequestro de Nicolás Maduro. “O Marco Rubio, desde o início do processo eleitoral aqui no Brasil, vem sendo uma figura que se destaca bastante triste porque é um descendente de imigrantes que se colocam com uma perspectiva muito dura em relação à América Latina, e ele, desde o início, se posicionou em prol da família Bolsonaro, se posicionou contra o governo Lula”, afirma.
Segundo ela, ao ser um dos porta-vozes do governo Trump que coloca sob suspeição a lisura das eleições brasileiras, Rubio automaticamente “demonstra esse papel fundamental de tentativa de desestabilização da situação política aqui no Brasil”.
Ana Carolina Marson também afirma que é importante estar em alerta aos próximos movimentos dos bolsonaristas, já que temos na memória não tão distante a tentativa de golpe do 8 de janeiro, perpetrada, justamente, por Jair Bolsonaro, pai do candidato derrotado. “Precisamos ficar muito atentos aos próximos movimentos, não só da direita aqui no Brasil, que perdeu as eleições, mas também em relação aos movimentos da família Bolsonaro nos Estados Unidos”, reforça.
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