O Campeonato Estadual de Batalhas de Rima do Rio Grande do Sul (CEBR-RS) completa 10 anos e celebra sua trajetória com uma final estadual no próximo domingo (1º). A edição servirá como palco para a maior disputa de freestyle do Sul do Brasil, onde o vencedor levará R$ 5 mil em premiação para casa.
O evento inicia a partir das 14h, no Museu da Cultura Hip Hop RS, em Porto Alegre. Um lugar que não apenas sediará a competição, mas também será cenário de um anúncio que pretende contribuir para a sustentabilidade das batalhas no estado. Será uma parceria inédita que irá ampliar as condições materiais das organizações para que estas continuem realizando suas atividades, que muitas vezes acabam acontecendo sem estrutura.
Para celebrar a conquista e os 10 anos junto a quem constrói essa história em todo o estado, a parceria também vai disponibilizar cinco vans para transportar o público do Interior até Porto Alegre. A iniciativa contempla mais de 10 cidades, entre elas: Passo Fundo, Bagé, Pelotas, Santa Maria, Santa Cruz do Sul, Lajeado e Caxias do Sul, ampliando o acesso à final e promovendo o encontro entre diferentes expoentes regionais.
A Final Estadual deste ano, também conta com apoio da Secretária da Cultura de Porto Alegre e da OSC Cirandar por meio de uma emenda parlamentar da vereadora Atena Roveda (Psol).
A coordenadora do CEBR-RS, Mariana Marmontel, explica que estão acostumados a fazer as coisas com pouca remuneração e valorização. “Quando tem a possibilidade de fazermos com recurso dá um sabor especial. Mas a gente sabe que as pessoas amam tanto esse movimento que elas continuam presentes mesmo quando não têm nada, quando a premiação da batalha é apenas uma folhinha, quando é o chapéu que passa e o público contribui com aquilo que pode.”
Em 2026, o circuito estadual envolveu mais de 35 batalhas na realização das etapas pré-seletivas e seletivas regionais, classificando 16 nomes para se enfrentarem na Final Estadual. A mobilização não reúne somente MCs, mas DJs, mestres de cerimônias, jurados, produtores culturais e comunidades, conectando diferentes regiões em torno da cultura Hip Hop.
Batalhas de Rima como espaços de expressão da juventude

Para Marmontel, que está há cinco anos na gestão do campeonato, a importância da iniciativa está na capacidade de reunir pessoas, experiências e perspectivas diversas em torno de uma cultura compartilhada. As batalhas de rima ultrapassam a dimensão do entretenimento e da competição: são espaços de expressão da juventude, troca de experiências e conscientização sobre questões raciais, sociais e políticas. “É uma necessidade que a nossa juventude tem de se expressar, de colocar para fora o que sentem e o que vivem”, destaca a coordenadora.
A trajetória do campeonato também está conectada ao Duelo de MCs Nacional, competição que reúne representantes de diferentes estados brasileiros e proporciona oportunidades de projeção para o artista que é classificado. Para muitos MCs, chegar ao circuito nacional significa conhecer outras realidades culturais, representar o Rio Grande do Sul e acessar experiências que antes pareciam distantes.
“A gente tem casos de MCs que nunca tinham viajado de avião, então, são possibilidades que a gente acaba apresentando para esses jovens de coisas que muitas vezes pareciam impossíveis ou distantes, e, a partir disso, eles veem que a arte e a dedicação deles ao ofício da rima proporciona estes voos, em todos os sentidos”, afirma.

Em 2016, após uma articulação entre a Família de Rua, Aretha Ramos e Rafa Rafuagi, teve início o processo de inserção da região Sul no Duelo Nacional de MCs. Naquele momento, o evento, que já acumulava cinco anos de história, ainda não contava com representantes sulistas. Com pouco tempo para organizar a seletiva, foram realizadas 10 batalhas, envolvendo mais de 200 MCs. A final aconteceu em 12 de novembro, durante a Feira do Hip-Hop, na Esquina Democrática, em Porto Alegre, no Dia Mundial do Hip-Hop.
A iniciativa foi viabilizada por meio de vaquinhas virtuais, pedidos de apoio pela internet e recursos próprios de Aretha Ramos, responsável pela organização naquele ano. Ela também financiou a viagem de Nicolas Walter a Belo Horizonte, representante gaúcho que chegou mais longe no Duelo Nacional, indo para a semifinal e, infelizmente, sendo vencido pelo MC Sid, do Distrito Federal.
No ano seguinte (2017), com mais tempo para planejamento, a competição teve aproximadamente 500 MCs disputando a vaga para representar o Rio Grande do Sul no cenário nacional. A final estadual foi realizada na Praça XV de Novembro, em frente ao Mercado Público, e consagrou Zandrio como representante do ano, após enfrentar na grande final, Nicolas Walter, finalista da edição anterior. Um momento que consagrou o CEBR-RS como parte do movimento Hip Hop gaúcho.

