PERDÃO DAS DÍVIDAS

Cerca de 390 mil microempreendedores pernambucanos podem ser beneficiados pelo novo programa do governo Lula

Mais da metade dos MEIs no estado estão com boletos atrasados; 64% gostariam de prestar serviços ao poder público

Além de organizar redes de empreendedorismo, Fórum Estadual das Mulheres Negras da Economia Popular Solidária (Fespope) conta com loja no centro de Porto Alegre
Além de organizar redes de empreendedorismo, Fórum Estadual das Mulheres Negras da Economia Popular Solidária (Fespope) conta com loja no centro de Porto Alegre | Crédito: Rafa Dotti

No estado de Pernambuco existem 389,3 mil trabalhadoras e trabalhadores com CPNJs de microempreendedores individuais (MEIs), público-alvo de um dos programas criados pelo governo Lula na reta final das eleições de 2026. O Prospera MEI engloba ações de perdão de dívidas com a União, “incentivos” de até R$ 5 mil para investimentos no negócio, estimula o poder público a contratar serviços de MEIs, passa a permitir a contratação de até dois funcionários e, por fim, amplia o teto de faturamento das microempresas individuais.

Segundo o Sebrae, cerca de 220 mil (57%) dos MEIs pernambucanos estão com boletos em atraso, em especial do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS). As dívidas dos microempreendedores com a União registradas até o dia 13 de outubro de 2026 serão perdoadas, inclusive as dívidas ajuizadas e as já parceladas. A medida só entra em vigor no dia 1º de janeiro de 2027, quando as dívidas serão perdoadas automaticamente, sem que o MEI precise solicitar.

Mas atenção: para o perdão não ser revogado, o microempreendedor deve pagar em dia os seis primeiros DAS de 2027. Aos MEIs que estão em processos judiciais de contestação das dívidas é recomendado pelo governo federal a desistência dessas ações, para que seja autorizado o perdão da dívida, sem cobrança de honorários advocatícios. Em todo o Brasil, cerca de 3,6 milhões de MEIs (20%) estão endividados por valores de em média R$ 3,4 mil.

O perdão deve custar aos cofres públicos R$ 18,7 bilhões, que o governo espera colher com a dinamização da economia a partir da “limpeza” dos nomes dos empreendedores. O Prospera MEI foi criado no dia 21 de outubro, através do projeto de lei complementar (PLP) nº 186/2026, alterando a lei do Simples Nacional (lei complementar 123/2006). Além das dívidas com a União, o programa prevê a possibilidade de renegociação de dívidas dos MEIs com instituições bancárias através do programa “Desenrola 3.0”.

O governo também criou uma linha de “incentivos” de R$ 5 mil para investimentos em micro e pequenos negócios, o “Pix MEI”, mas com o limite máximo de um milhão de microempreendedores beneficiados até 2030.

Notas fiscais, teto de faturamento e equipe

Também foram definidas regras para os “nano MEIs”, categoria criada na Reforma Tributária que só entra em vigor a partir de janeiro de 2027. Os “nano MEIs” são os microempreendedores cujo faturamento anual não supera os R$ 40.500 (média de R$ 3.375 por mês). Eles ficam dispensados da necessidade de emitir notas fiscais e mesmo de criar CNPJ. E todos os MEIs ficam dispensados de emitir notas fiscais para clientes que sejam pessoas físicas. Segundo a pesquisa do Sebrae, 73% dos MEIs pernambucanos consideram que a formalização os ajudou a aumentar as vendas e o faturamento.

O Prospera MEI também atualiza o limite de receita bruta anual para os MEIs, saindo dos atuais R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e, em seguida, para R$ 140 mil em 2028. O teto não era atualizado desde 2018. As novas regras permitem a ampliação das receitas sem que o microempreendedor precise deixar o regime simplificado, mantendo-se pagando apenas o DAS. Também permite que microempresas que faturam dentro desse valor migrem para a categoria MEI. Outra mudança é que os MEIs passam a poder contratar até dois funcionários, não mais um único.

Licitações e compras públicas

Ainda segundo o Sebrae, cerca de 64% dos microempreendedores de Pernambuco têm interesse em prestar serviços para o poder público (prefeituras, governos, câmaras e assembleias), possibilidade intermediada pela plataforma “Contrata + Brasil”. Com o Prospera MEI, o poder público pode contratar microempreendimentos por até R$ 32,7 mil por serviço (e não mais R$ 13,1 mil, teto anterior). O teto de contratações de micro e pequenas empresas pelo poder público sobe de R$ 80 mil para R$ 131 mil.

Criada em 2025, a partir da experiência do “GO Recife”, a plataforma Contrata + Brasil recebeu, em 20 meses de atividade, cadastros de 2.744 órgãos públicos e 24,5 mil MEIs. Através do ambiente digital já foram realizados 8.356 contratos (média mensal de 418), somando R$ 47,9 milhões em pagamentos públicos aos MEIs (média de R$ 2,4 milhões ao mês). No momento há 250 oportunidades de contratos em aberto.

Editado por: Vinícius Sobreira

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