A colisão entre dois trens de alta velocidade na manhã desta quarta-feira (28), perto da estação de Urda, na província de Toledo, a cerca de 150 quilômetros ao sul de Madri, deixou pelo menos 30 mortos, segundo o presidente da comunidade autônoma de Castilla-La Mancha, Emiliano García-Page. Há ainda mais de 80 feridos, cerca de 50 deles em estado grave. As autoridades acreditam que o número de vítimas vai aumentar.
De acordo com o serviço de emergências, um trem AVE, da estatal Renfe, bateu em uma composição da empresa privada Iryo que estava parada na via. Com o impacto, dois vagões do Iryo e um do AVE caíram por um barranco. Os dois trens, que seguiam para Sevilha, levavam mais de 540 passageiros. Segundo García-Page, foram encontrados 24 mortos no AVE e 6 no Iryo, mas as equipes de resgate ainda não tinham conseguido chegar ao fundo dos vagões tombados. “Vão aparecer mais mortos”, afirmou.
Fontes do governo espanhol atribuem o acidente a um erro humano no centro de controle da estação de Atocha, em Madri, e afirmam que a tragédia “pode ser pior que a de Adamuz”. Em 18 de janeiro deste ano, outra colisão de trens de alta velocidade em Adamuz, na Andaluzia, deixou 46 mortos.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, disse estar “consternado” com o acidente. “Meu carinho, solidariedade e apoio a todas as vítimas e suas famílias”, escreveu nas redes sociais. Sánchez afirmou estar em contato permanente com García-Page e com o ministro dos Transportes, Óscar Puente, que acompanha a situação do centro de controle da estação de Atocha, em Madri.
‘Estávamos de cabeça para baixo’
Passageiros que deixaram os trens com ferimentos leves relataram os momentos do choque ao jornal espanhol El País. Iñaki, de 60 anos, viajava no vagão 2 do Iryo, de Sevilha para Madri, quando o trem parado foi atingido. “Me vi rolando pelo chão. Quando abri os olhos, estávamos de cabeça para baixo”, contou. Alberto, que estava na parte de trás do AVE, disse que o trem havia parado e que o maquinista anunciou uma breve espera por congestionamento mais à frente. “Trinta segundos depois, arrancou de novo e, um momento depois, veio o golpe”, relatou.
Os feridos foram levados para hospitais de Toledo, Ciudad Real, Alcázar de San Juan e Madri. As autoridades regionais fizeram apelos urgentes por doação de sangue. Entre os passageiros estava a ex-ministra do Trabalho Fátima Báñez, que viajava no trem da Iryo e, até o fim da manhã, não havia sido localizada.
A circulação ferroviária entre Madri e a Andaluzia foi interrompida, e mais de 80 viagens de alta velocidade foram canceladas. O rei Felipe VI manifestou pesar às famílias, o Senado suspendeu suas atividades por dois dias, e Sevilha, destino final dos dois trens, decretou três dias de luto.
Segurança ferroviária
O acidente reacendeu o debate sobre a segurança do transporte ferroviário na Espanha. O Sindicato Espanhol de Maquinistas Ferroviários (Semaf) já tinha convocado, desde 16 de outubro, uma greve para esta quinta-feira (29) em todas as empresas do Grupo Renfe, com a segurança como principal reivindicação. Entre os motivos, o sindicato citava a necessidade de garantir que “nunca se anteponha a urgência de circular à segurança”.
A União Geral de Trabalhadores (UGT), uma das principais centrais sindicais do país, cobrou “rigor e transparência” na investigação. “É a segunda grande tragédia ferroviária deste ano, depois da de Adamuz. Por isso reiteramos que a segurança do transporte público não admite atalhos. Ela exige os investimentos, a manutenção e as equipes necessárias”, afirmou a entidade.
Com informações de AFP e El País

