Com 84,5% das urnas apuradas nesta quarta-feira (28), o bloco do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu conquistava 54 das 120 cadeiras do Knesset, o Parlamento de Israel, ficando sete assentos abaixo dos 61 necessários para formar uma maioria.
Segundo o Comitê Eleitoral Central, a oposição liderada por Gadi Eisenkot reunia 49 cadeiras, enquanto os partidos árabes, representados pela Lista Conjunta e pelo Ra’am, somavam 17 assentos. A contagem dos votos continua.
Eisenkot afirmou que o resultado das eleições legislativas representa uma rejeição ao governo de Netanyahu. “Este será um novo começo. Um verdadeiro novo começo em um novo caminho. A velha era acabou, e Israel está começando uma nova era”, declarou em discurso aos apoiadores na sede do Yashar, em Tel Aviv.
Netanyahu, por sua vez, reivindicou a liderança do Likud nas eleições e defendeu a formação de um “governo nacional de direita”. “O que vimos é que o Likud é o maior partido — ninguém pode competir conosco”, afirmou. “A segunda coisa que também está clara é que o bloco de direita tem maioria, e é uma maioria decisiva.”
O presidente da Lista Conjunta, Yousef Jabareen, afirmou que os partidos interessados em retirar Netanyahu do poder precisarão negociar com as legendas de maioria árabe, que ampliaram sua representação nas eleições legislativas de Israel. “Qualquer pessoa que queira oferecer uma alternativa substancial e genuína ao governo sanguinário de Netanyahu terá que conversar conosco para abrir caminho para a mudança que o público israelense tanto anseia”, declarou ao Canal 13. “Ou continuamos com o racismo, a exclusão e a supremacia, ou temos uma verdadeira parceria judaico-árabe”, acrescentou.
Do lado da oposição, o dirigente dos Democratas, Yair Golan, afirmou na rede social X que os eleitores haviam “demitido o governo Netanyahu” e anunciou sua disposição de negociar com outras forças políticas para formar uma nova administração. O presidente do Ra’am, também conhecido como Lista Árabe Unida, Mansour Abbas, manifestou a expectativa de que o resultado definitivo permita à oposição alcançar, com o apoio de seu partido, as 61 cadeiras necessárias para constituir uma maioria parlamentar.
Participação eleitoral é a maior desde 1999
As eleições legislativas israelenses registraram comparecimento de 77,7% dos eleitores aptos a votar, segundo o Comitê Central de Eleições. Trata-se da maior participação desde 1999, com crescimento de 7,1 pontos percentuais em relação ao pleito de 2022, que marcou o retorno de Netanyahu ao poder.
A mobilização também foi expressiva entre os militares israelenses. De acordo com o Exército, mais de 68% dos soldados haviam votado até as 17h, no horário local. Além disso, mais de 60 mil israelenses retornaram do exterior para participar da eleição.
As seções eleitorais encerraram suas atividades às 22h, no horário de Israel, mas os cidadãos que já estavam nas filas puderam exercer o direito ao voto.

