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Fuga de Flávio Bolsonaro expõe mentiras e acobertamento internacional, analisa cientista política

Para Rosemary Segurado, não há asilo político para quem vive na democracia e Itamaraty deve cobrar países por suporte

Flávio Bolsonaro discursa após perder as eleições de 2026. 25/10/2026.
Flávio Bolsonaro discursa após perder as eleições de 2026. | Crédito: Pablo Porciuncula/AFP

No discurso que o senador Flávio Bolsonaro (PL) fez ainda na noite de domingo, após o anúncio da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o candidato declarou que não aceitaria o resultado das eleições e que não iria desistir do Brasil. No dia seguinte à derrota, após visita a seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio se disse surpreso com a ordem de retenção dos passaportes e alegou que não tinha intenção de sair do país. Menos de 24 horas depois, foi exatamente isso que ele fez: fugiu para os Estados Unidos, a partir de um voo que partiu de Puerto Iguazú, na Argentina, apoiado pelo governo de Javier Milei.

Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a cientista política Rosemary Segurado avalia que a ação de Flávio só confirma a falta de compromisso com a verdade. “A gente viu Flávio mentir a campanha toda. A fuga se deu menos de 24 horas depois da declaração de que jamais sairia do país. A fuga certamente já estava planejada caso o resultado acontecesse”, aponta.

Para ela, o complexo esquema que contou até com a Argentina “como passarela de fuga” contou com planejamento e acordos prévios. Segurado defende que Flávio precisa responder à razão da fuga, já que é alvo apenas de investigação e tem presunção de inocência. “Talvez não tenha provas para se defender das acusações dos crimes pelos quais está sendo investigado e por isso fugiu”, pondera.

A analista destaca que Flávio foi candidato e participou de eleições livremente, teve o irmão e a madrasta eleitos, além de muitos governadores aliados, e, portanto, o argumento fantasioso de necessidade de fuga por viver “uma ditadura” não procede. “No mínimo tem três países envolvidos direto nessa fuga, que são Argentina, Equador e EUA. E, no sentido das relações exteriores, eles estão acobertando um fugitivo”, avalia, lembrando que Flávio descumpriu a ordem de entrega dos passaportes.

“O Itamaraty deve solicitar esclarecimento aos países que proporcionaram essa fuga. Me parece que esses países são cúmplices de alguém que agora já pode ser considerado foragido”, defende. “Não existe dar asilo político a uma pessoa que vive em uma sociedade democrática”, pontua a cientista política.

Rosemary Segurado também considera que os eleitores de Flávio deveriam usar o episódio para compreenderem em quem haviam depositado a confiança de governar o país. “Presto solidariedade aos eleitores que acreditaram nele até o último instante.”

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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