BOLSONARISMO

Homicídio, ataque a grêmio estudantil e ameaças a apoiadores marcam a semana após vitória de Lula, no Paraná

Também foram registrados casos de violência policial e pedidos por demissões de trabalhadores 'petistas'

Violência da Polícia Militar e de civis bolsonaristas foi registrada em diferentes cidades do Paraná
Violência da Polícia Militar e de civis bolsonaristas foi registrada em diferentes cidades do Paraná | Crédito: Reprodução/Redes sociais

Após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais nesse domingo (25), casos de violência política foram registrados no Paraná direcionados a apoiadores do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nessa semana, houve desde ameaças de demissão a “funcionários petistas” e episódios de agressão policial. Eliseu Pedrozo dos Santos morreu após ser atropelado durante a comemoração em Mangueirinha (PR).

Na noite após o anúncio da reeleição de Lula (PT), Eliseu estava em um evento de comemoração no município quando um motorista embriagado furou um bloqueio policial, matando a vítima e atropelando outras três pessoas. O homem de 38 anos sofreu um traumatismo craniano grave, foi encaminhado para atendimento médico, mas não resistiu e faleceu na segunda-feira (26).

A Polícia Militar investiga a morte de Eliseu como homicídio. Além deste, outros casos de violência foram registrados no dia do resultado das eleições e no decorrer da semana.

Agressões policiais registradas em Apucarana (PR) e Guarapuava (PR)

Ainda na noite de domingo (25), relatos de abordagens violentas da Polícia Militar do Paraná contra pessoas que estavam comemorando o resultado das eleições foram registrados em diferentes municípios. Em Apucarana (PR), registros em vídeo mostram policiais e guardas municipais prendendo pessoas e utilizando spray de pimenta.

O servidor público Fernando Capivara foi atingido por balas de borracha enquanto registrava a ação dos policiais e ficou com ferimentos na perna.

Fernando foi atingido enquanto filmava a violência, com seu celular

Em Guarapuava (PR), a pesquisadora Renata Kempf, da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), foi detida pela PM em ato de comemoração pela vitória de Lula. Em nota, o Partido dos Trabalhadores (PT) do município declarou solidariedade à Kempf e exigiu esclarecimentos sobre a abordagem dos policiais.

“Não aceitaremos que a força do Estado seja utilizada para intimidar, agredir ou silenciar cidadãos que exercem seus direitos democráticos. A atuação policial deve ser pautada pela legalidade, pela proporcionalidade e pelo respeito à integridade física e à dignidade de todas as pessoas”, declara a nota do PT de Guarapuava.

Episódios de violência policial contra apoiadores do presidente Lula foram flagrados em todo o país

Grêmio Estudantil de Arquitetura e Urbanismo da UFPR sofreu vandalismo

Na manhã de terça-feira (27), a sede do Grêmio Estudantil de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Paraná (GAU-UFPR) foi encontrada com sinais de vandalismo. As paredes do grêmio foram pichadas com o número “22” e ofensas aos estudantes e ao presidente Lula (PT), além de que materiais foram encontrados danificados.

Em junho deste ano, o GAU sofreu outro ataque à sua sede, também com ofensas a Lula e a estudantes de esquerda. “Diante desse cenário, entendemos que não se trata de um ato de mera insatisfação política, mas de um ataque direto à universidade, à pluralidade de ideias e à democracia”, afirmou o grêmio em nota divulgada no Instagram.

A sede do GAU foi encontrada com pichações e materiais danificados | Crédito: Reprodução/Grêmio de Arquitetura e Urbanismo da UFPR

Vereadores incentivaram apoiadores a demitir funcionários “petistas”

No início desta semana, logo após os resultados das eleições presidenciais, os deputados estaduais eleitos em outubro, Jessicão (PL) e Guilherme Kilter (Novo) realizaram postagens em suas redes sociais pedindo que seus apoiadores demitíssem funcionários que fossem apoiadores do presidente reeleito.

Em declarações, os parlamentares recomendaram “demitir o mal” e cortar gastos “começando pelos petistas”. O Ministério Público do Trabalho (MPT-PR) abriu investigações por suspeita de ódio eleitoral e discriminação no ambiente de trabalho, exigindo que os deputados apagassem as postagens e publicassem retratações pelas falas.

PT Paraná cobra esclarecimentos e investigação dos casos

Na terça-feira, Arilson Chiorato, presidente do PT Paraná e deputado estadual, cobrou investigações pela morte de Eliseu Pedrozo dos Santos e dos diversos casos de violência registrados contra os apoiadores do presidente Lula. Além da morte de Eliseu, Chiorato também citou as ocorrências de abuso policial.

O partido criou um canal em que podem ser registradas denúncias de violência e ameaças políticas. Em todo o país, casos de violência foram registrados antes, durante e após o período das Eleições Gerais de 2026.

*Estagiário sob supervisão de Murilo Bernardon.

Editado por: Murilo Bernardon

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