Defesa da democracia

Partidos rechaçam golpismo de Flávio Bolsonaro: ‘Contestação do resultado não se sustenta’

PT, PCdoB, PV, PSB, PSOL, Rede e PDT emitiram posicionamento conjunto na noite desta quarta-feira (28)

Manifestantes ocuparam as ruas de Brasília (DF) contra anistia a condenados pela trama golpista - Divulgação/Juliana Duarte
Manifestantes ocuparam as ruas de Brasília (DF) contra anistia a condenados pela trama golpista | Crédito: Divulgação/Juliana Duarte

Em resposta à divulgação da carta golpista do senador e candidato derrotado à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), em que ele chegou a se declarar “verdadeiro presidente do Brasil”, os partidos PT, PCdoB, PV, PSB, PSOL, Rede e PDT emitiram posicionamento conjunto, ressaltando que “não é a primeira vez que a família Bolsonaro se recusa a aceitar a vontade das urnas” e que a “contestação do resultado [das eleições] não se sustenta”.

Os partidos ressaltam que não existe qualquer tipo de perseguição política no Brasil e que Flávio Bolsonaro deixou o país fugindo da justiça. Na carta divulgada nesta quarta-feira (28), logo após chegar aos Estados Unidos fugindo da Justiça brasileira, o senador apontou a extensão do horário de votação como “evidência de fraude”, ignorando que a campanha dele também pediu a medida, e diz sofrer “perseguição política”.

“O Brasil não aceita interferência estrangeira em seu processo democrático. O candidato derrotado nas eleições fugiu do Brasil para não enfrentar a Justiça brasileira. Não por acaso, o candidato derrotado buscou abrigo justamente junto [ao presidente dos Estados Unidos, Donald] Trump, que atuou abertamente para interferir em nossas eleições”, dizem as legendas.

Os sete partidos ressaltam que o resultado foi reconhecido pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, como “as eleições mais inclusivas da história da República brasileira” e que “transcorreram dentro da mais absoluta normalidade”.

Além do TSE, todos os partidos políticos, inclusive o próprio PL, e os observadores internacionais independentes igualmente atestaram a legalidade das eleições. Nunes Marques, no entanto, deixou uma abertura ao indicar que “todos os questionamentos feitos dentro do devido processo legal serão analisados e respondidos”.

Os partidos destacam que não existe margem para qualquer questionamento das eleições. “A contestação do resultado não se sustenta. A prorrogação do horário de votação foi pedida pelas duas campanhas, PT e PL, por restrição em transportes públicos e chuvas fortes, e concedida de forma isonômica a todo o país. Nesse período foram registrados apenas 33.866 votos para presidente, 0,026% do total, enquanto a diferença entre os candidatos foi de mais de 4,4 milhões”, apontam.

Além disso, as legendas destacam que o pleito terminou com a “incontestável” eleição dos representantes para Câmara dos Deputados, Senado Federal, Assembleias Legislativas e Distrital, além dos Governadores, cujos resultados não foram questionados.

“Não é a primeira vez que a família Bolsonaro se recusa a aceitar a vontade das urnas. Em 2022, Jair Bolsonaro tramou uma tentativa de golpe de Estado, que incluía o plano de assassinar o presidente e o vice-presidente eleitos. A democracia resistiu, e ele e os militares envolvidos foram condenados e estão presos. O Brasil não é quintal de ninguém, e a vontade soberana do povo brasileiro será respeitada”, concluem os partidos.

Editado por: Rodrigo Gomes

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