JORNALISMO CULTURAL

‘Pela Cidade Baixa’: série retrata cultura, diversidade e solidariedade em Porto Alegre

Seleção reúne dez reportagens sobre espaços e pessoas que promovem convivência, direitos e ação coletiva

Circo Híbrido, Amada Massa e Mocambo integram o percurso da série ‘Pela Cidade Baixa’
Circo Híbrido, Amada Massa e Mocambo integram o percurso da série ‘Pela Cidade Baixa’ | Crédito: Montagem sobre fotos de Rafa Dotti e Rafael Rosa

A Cidade Baixa é um mundo à parte de Porto Alegre. Na série “Pela Cidade Baixa”, do Brasil de Fato RS, já percorremos endereços e contamos histórias em mais de 30 reportagens. Visitamos espaços de cultura, de convivência, de defesa de direitos e de construção de uma vida mais digna, conhecendo gente que pensa e age a favor do outro.

Dessa caminhada, reunimos aqui dez reportagens apresentadas ao Prêmio da Associação Riograndense de Imprensa (ARI), abrangendo temas sociais, diversidade de gênero, negritude e iniciativas que promovem uma vida solidária e consciente. Viajamos por endereços simples, onde encontramos muitas maneiras de viver, conviver e trabalhar, em um amplo espectro de pluralidade, luta e voluntarismo.

Carmelo Nossa Senhora do Carmo

Irmãs rezando com a imagem de Menino Jesus de Praga (em visita ao Mosteiro)
Irmãs rezando com a imagem de Menino Jesus de Praga (em visita ao Mosteiro) | Crédito: Divulgação

Há um muro alto que separa o Carmelo da avenida Loureiro da Silva, 1735, também chamada de Perimetral, na Cidade Baixa. O muro não consegue impedir ou abafar os sons da cidade. Carros que passam, ônibus, caminhões, vozes, buzinas, movimentos que começam cedo e continuam ao longo do dia. A cidade segue o seu ritmo, muitas vezes acelerado, enquanto ali dentro a vida procura outro compasso, outro tipo de circunstância. Ali vivem 20 irmãs em regime de clausura, por livre escolha, numa rotina de oração, trabalho e contemplação.

Confira: Dentro do Carmelo Nossa Senhora do Carmo há uma vida de oração, trabalho e contemplação

Amigas da Terra Brasil

A CasaNat – Centro de Arquitetura Socioambiental para o núcleo Amigas da Terra fica na rua Olavo Bilac, 192, entre a Cidade Baixa e a Azenha, em Porto Alegre
A CasaNat – Centro de Arquitetura Socioambiental para o núcleo Amigas da Terra fica na rua Olavo Bilac, 192, entre a Cidade Baixa e a Azenha, em Porto Alegre | Crédito: Rafael Rosa

A terra é base de tudo para a vida. Simboliza a estabilidade, a nutrição e o mundo material, representa o princípio da criação, a conexão com a natureza e a força realizadora. A Amigas da Terra Brasil (ATBR) está neste rumo, sem tréguas para ninguém. Agrega muita gente, 14 trabalhadores fixos e um ideal: cuidar da terra com todas as suas variantes – luta ambiental, luta da classe trabalhadora, luta por justiça racial, luta pela água, luta contra as destruições provocadas pelas transnacionais, enfim luta por justiça em todas as dimensões. A CasaNat, sede da organização, fica na rua Olavo Bilac, 192, entre a Cidade Baixa e a Azenha.

Confira: Amigas da Terra Brasil briga por justiça ambiental e enfrenta empresas transnacionais

Amada Massa

Amada Massa é um Clube de Pães que começou a ser construído na luta e na militância pela garantia de direitos de pessoas em situação de rua ou com trajetória de fragilidade
Amada Massa é um Clube de Pães que começou a ser construído na luta e na militância pela garantia de direitos de pessoas em situação de rua ou com trajetória de fragilidade | Crédito: Rafa Dotti

Um café preto, no ponto ideal, um pão de cenoura quentinho, com um sabor especial, recepcionam os visitantes na Amada Massa, rua Sebastião Leão, 90, na Cidade Baixa. Fica bem no limite do bairro com a Azenha. Ali, uma iniciativa de reparação social a partir do pão, da massa, a instituição constrói o futuro de algumas pessoas que vivem e lutam para sair da extrema vulnerabilidade social. É uma rede de gente simples, que está em situação precária ou até de rua, mulheres vítimas de violência, apoiadores, 80 assinantes de pães, colaboradores de várias frentes. O projeto busca proporcionar trabalho, renda e uma vida digna às pessoas participantes.

Confira: Amada Massa transforma a realidade de pessoas que lutam para sair da extrema pobreza em Porto Alegre

Circo Híbrido

Dança aérea em tecido é o carro-chefe do Circo Híbrido, grupo aberto à multiplicidade das linguagens artísticas e às práticas de ensino-aprendizagem
Dança aérea em tecido é o carro-chefe do Circo Híbrido, grupo aberto à multiplicidade das linguagens artísticas e às práticas de ensino-aprendizagem | Crédito: Rafael Rosa

O Circo Híbrido sabe que viver da arte é pura resistência. Localizado na rua José do Patrocínio, 280, Cidade Baixa, é mais um dos espaços em Porto Alegre onde se respira realmente o espírito circense – não aquele tipo de circo de lona, daqueles que a gente imagina e que vem de tempos antigos. Esses ainda existem, mas cada vez mais se distanciam, indo para as periferias. Já não têm animais. A dança aérea em tecido é o carro-chefe do grupo, que cria espetáculos e mantém uma escola com cursos, oficinas e aulas permanentes.

Confira: Circo Híbrido revela encantos de uma arte ampla e versátil

Mocambo

Mocambo tem dois sócios negros: Marcelo Pires, 26 anos, e seu primo Daniel Dias, 34 anos, e uma multidão de parceiros em toda a região
Mocambo tem dois sócios negros: Marcelo Pires, 26 anos, e seu primo Daniel Dias, 34 anos, e uma multidão de parceiros em toda a região | Crédito: Rafa Dotti

Mocambo nasceu para ficar como espaço da cerveja, da resistência e da democratização da população preta na Joaquim Nabuco, 46, Cidade Baixa. É um lugar que se dá ao respeito e exige respeito. Não aceita racismo e nem preconceito e está sempre aberto a quem quiser ir lá conhecer, provar suas variadas e artesanais cervejas, todas com sabores especiais, e tem dois sócios negros: Marcelo Pires, 26 anos, e seu primo Daniel Dias, 34 anos, e uma multidão de parceiros em toda a região. Uma empresa de caráter familiar.

Confira: Mocambo se transforma em espaço de resistência e de luta democrática da comunidade negra em Porto Alegre

Alice

A sede da Alice funciona na Olavo Bilac, 188, entre a Cidade Baixa e a Azenha. Ali se realizam todas as atividades da instituição
A sede da Alice funciona na Olavo Bilac, 188, entre a Cidade Baixa e a Azenha. Ali se realizam todas as atividades da instituição | Crédito: Rafael Rosa

A Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação (Alice) trabalha por ideais, construindo confiança e esperança. Não tem hierarquias. Os integrantes dos projetos definem suas regras e sua forma de comunicar. A Organização da Sociedade Civil – responsável pelo jornal Boca de Rua, entre vários projetos – nasceu há 27 anos, defendendo o direito à comunicação e um mundo digno e humano para pessoas desamparadas, discriminadas, segregadas e à margem da sociedade. Moradores de rua, presidiárias, prostitutas e mulheres idosas encontram sua própria voz na Alice. A sede, na rua Olavo Bilac, 188, entre a Cidade Baixa e a Azenha, também recebe exposições, palestras, lançamentos de livros e debates.

Confira: Alice abre a porta vermelha para ‘invisíveis’ e para discutir direitos humanos, cultura e solidariedade

Povoada Gastrobar

Povoada Gastrobar, na Cidade Baixa
Povoada Gastrobar, na Cidade Baixa | Crédito: Rafael Rosa

“Eu não ando só.” Logo na entrada da Povoada Gastrobar, o cliente/visitante se depara com esta frase e, depois, vai vendo citações sobre diversos temas em quadros e paredes e sente vários espíritos brasileiros pairando por ali. Tem uma coleção de bonés dos comandantes das alas das escolas de samba do carnaval carioca, lembranças de religiões de matriz africana, coisas da Bahia, drinques, coquetéis e petiscos de botecos de várias regiões, música ampla – do samba ao rock, brasilidade em todos os sons. Na rua Lopo Gonçalves, 378, a casa é comandada por quatro mulheres e tem na valorização da diversidade um dos seus princípios.

Confira: Povoada Gastrobar reúne diversidade, cultura, bons drinques e comidas e é o local onde ‘mora o amor’

Espaço Cultural Sankofa

Bar sankofa
Edu e Anderson se consideram irmãos, tal a afinidade e a camaradagem entre eles | Crédito: Rafa Dotti/Brasil de Fato

Um lugar livre, sem preconceitos de qualquer espécie. Ali não há e não entra quem tem alguma espécie de viés negativo em questões de gênero, raça e maneira de pensar a vida. É assim que os sócios e empresários Eduardo Alves, o Nego Edu, 41 anos, e Anderson Soares, 36, pensam para construir a imagem do Espaço Cultural Sankofa na rua João Alfredo, 503, na Cidade Baixa, uma área de Porto Alegre que não permite que se viva em baixo astral, tantas são as opções para relaxar, conversar, conviver, compartilhar. O nome remete à sabedoria ancestral e à importância de olhar para o passado para construir o futuro.

Confira: Espaço Cultural Sankofa abre as portas para valorizar a memória, ancestralidade e cultura afro-brasileira

Macunaíma

Casa Bar Galeria Macunaíma Arte e Gastrô fica na rua da República, 153, Cidade Baixa, em Porto Alegre
Casa Bar Galeria Macunaíma Arte e Gastrô fica na rua da República, 153, Cidade Baixa, em Porto Alegre | Crédito: Rafa Dotti

Imaginem uma Casa Bar Galeria Macunaíma Arte e Gastrô que consegue unir, difundir e tocar o barco com todas as variedades possíveis de cultura, arte, educação, história, gastronomia, e revelar o Brasil de Sul a Norte com quadros, desenhos, frases, palavras, poesias, músicas, filosofias, políticas, psicanálises e muitas, mas muitas conversas mesmo sobre qualquer assunto possível. Pois é, isso existe na rua da República, 153, na miscelânea e amplitude da Cidade Baixa, em Porto Alegre. Ali, o artista Tales Pacheco, 49 anos, e a multicultural e também advogada Mag Tiburi, 54 anos, criaram com as próprias mãos e muita criatividade tudo que se vê e se observa no prédio de dois andares.

Confira: Em Porto Alegre, Macunaíma une regiões do Brasil pela gastronomia, arte e cultura

Caldeirão Furado

Um mergulho no universo mágico em pleno coração da Cidade Baixa
Um mergulho no universo mágico em pleno coração da Cidade Baixa | Crédito: Eugênio Bortolon

Bruxarias, magias, garrafinhas com poções, capas de todos os tipos, quadros de personagens por todos os lados, livros, lâmpadas piscantes de diversas cores, animais fantásticos e cobra gigantesca no banheiro. Bem, essas são apenas uma parte mínima do Caldeirão Furado, um Café & Pub temático da surpreendente Cidade Baixa em Porto Alegre. Quem passa na rua, pode não enxergar nada, nem imaginar o que tem ali dentro do endereço da Joaquim Nabuco, 197. Basta abrir a porta para entrar no universo de Harry Potter.

Confira: Caldeirão Furado mostra o mundo de Harry Potter, com magias, bruxas e trouxas

Editado por: Marcelo Ferreira

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