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Após chegada de Flávio aos EUA, Mauro Vieira participa de reunião do G20 com Rubio e chanceler argentino

Sem encontros bilaterais marcados, diplomacia brasileira aposta no diálogo e aguarda resultado das eleições nos EUA

O chanceler Mauro Vieira participa de reunião do G20 nos Estados Unidos, em meio às tensões diplomáticas provocadas pela acolhida de Flávio Bolsonaro pelo governo Trump.
O chanceler Mauro Vieira participa de reunião do G20 nos Estados Unidos, em meio às tensões diplomáticas provocadas pela acolhida de Flávio Bolsonaro pelo governo Trump.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, viaja nesta quinta-feira (29) aos Estados Unidos para participar de uma reunião de chanceleres do G20, que será realizada na sexta-feira (30) e no sábado (31), em Atlanta, no estado da Geórgia. O encontro será presidido pelo secretário de Estado estadunidense, Marco Rubio, e contará também com a participação do chanceler argentino, Pablo Quirno.

A reunião ocorre dois dias depois de Flávio Bolsonaro (PL) fugir do Brasil pela fronteira com a Argentina e seguir para os Estados Unidos, onde desembarcou nesta quarta-feira (28), com autorização do governo de Donald Trump. O senador, derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, descumpriu uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para entregar seus passaportes.

Não há encontros bilaterais confirmados entre Vieira e Rubio ou entre o brasileiro e Quirno. Segundo informações obtidas pelo Brasil de Fato nos bastidores do Itamaraty, no entanto, conversas poderão ocorrer à margem do evento, inclusive por iniciativa dos representantes estadunidense e argentino.

A presença dos três chanceleres no mesmo encontro ganha relevância após Flávio agradecer publicamente a Trump e ao presidente argentino, Javier Milei, pela ajuda recebida em sua fuga do Brasil. O senador atravessou a fronteira por Foz do Iguaçu, embarcou em um avião privado em Puerto Iguazú e fez uma escala no Equador antes de chegar a Miami.

Trump confirmou que autorizou a entrada de Flávio e voltou a questionar o resultado da eleição brasileira, sem apresentar provas de irregularidades. O presidente estadunidense, contudo, evitou comentar a reivindicação golpista feita pelo senador de que teria vencido a disputa presidencial.

Apesar do episódio, a orientação da diplomacia brasileira é manter uma relação pragmática com os Estados Unidos e evitar uma escalada do confronto. A avaliação nos bastidores do Itamaraty é de que o reconhecimento internacional da vitória de Lula fortalece a posição do governo brasileiro diante das tentativas de contestação do resultado eleitoral.

A estratégia é semelhante à adotada durante as tensões comerciais de 2025 e 2026, quando o governo brasileiro obteve avanços em negociações com a administração Trump, mesmo depois de declarações do mandatário estadunidense, da imposição de tarifas sobre produtos nacionais e das sanções contra autoridades brasileiras.

A mesma postura deverá orientar a relação com o país vizinho. Embora existam questionamentos sobre a participação de autoridades argentinas na passagem de Flávio pelo país, a diplomacia brasileira não pretende, por enquanto, transformar o episódio em um confronto com o governo Milei. Eventuais pedidos de esclarecimento não estão descartados.

Também não houve, até o momento, segundo informações apuradas pelo Brasil de Fato, iniciativa concreta para um novo telefonema entre Lula e Trump. Segundo informações obtidas pela reportagem, o presidente brasileiro tampouco solicitou uma conversa. O último contato telefônico entre os dois ocorreu em 21 de agosto, quando discutiram as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos.

Outro fator considerado pela diplomacia brasileira é a realização das eleições legislativas estadunidenses, as midterms, na próxima terça-feira (3). Uma eventual conquista de maioria pelos democratas em pelo menos uma das casas do Congresso poderia ampliar a fiscalização sobre o governo Trump e alterar as condições de negociação em áreas como meio ambiente e regulação das grandes plataformas digitais.

A reunião do G20 em Atlanta terá como pauta oficial a cooperação econômica internacional, a segurança energética, a inovação tecnológica e o fortalecimento das cadeias globais de abastecimento. Brasil e Estados Unidos também mantêm negociações comerciais, mas não houve novos avanços anunciados nas tratativas sobre as tarifas.

O encontro de chanceleres antecede a cúpula de chefes de Estado e de governo do G20, prevista para 14 e 15 de dezembro, em Miami, também sob a presidência estadunidense.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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