Consequências

Ataques contra nordestinos e apoiadores do PT motivam exoneração de servidora no Distrito Federal

Em tom desrespeitoso, ex-funcionária esbanjava condição financeira e humilhava pessoas atendidas por programas sociais

Ex-diretora de tecnologia e inovação do SLU fez uma sequência de ataques preconceituosos contra apoiadores do PT nas redes sociais
Ex-diretora de tecnologia e inovação do SLU fez uma sequência de ataques preconceituosos contra apoiadores do PT nas redes sociais | Crédito: Reprodução/Instagram

Após repercussão de declarações xenófobas e preconceituosas contra apoiadores do Partido dos Trabalhadores (PT) e beneficiários do Bolsa Família, a ex-servidora comissionada do Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal (SLU), Fabiana Ribeiro Guimarães, pediu exoneração do cargo.

Em nota divulgada nas redes sociais, o SLU comunicou o desligamento da funcionária e afirmou que “as declarações mencionadas não refletem os valores e o posicionamento institucional da autarquia nem os do Governo do Distrito Federal”. Ela exercia função na diretoria de tecnologia e inovação da autarquia.

Na manhã desta quinta-feira (29), o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) encaminhou à Promotoria de Justiça, em caráter de urgência, a análise das publicações de ataques xenofóbicos cometidas por Fabiana. O pedido foi feito paralelamente a uma outra apuração iniciada pela própria autarquia.

Em uma das publicações no seu perfil do Instagram, a ex-servidora comissionada publicou uma imagem gerada por inteligência artificial na qual ela aparece segurando uma placa com os dizeres “eu odeio ser baiana”.

Em outra publicação nos stories, ela zomba de pessoas que recebem o benefício do Bolsa Família. “E você, que depende de Bolsa Família e acha que ganhar R$ 5 mil é muito dinheiro, sofra! Porque é isso que você merece. Mas quero que vocês sofram tudo que merecem. Eu sou foda e sempre serei! O meu está garantido.”

Concluindo a sequência de postagens com ataques, ela afirmou: “Serei sempre a patricinha empresária e trabalhadora que será contra o PT. Vocês não me representam! Estou pronta para perder seguidores, porque, graças a Deus, não trabalho com isso.”

Assédio eleitoral

O episódio ocorre em meio a uma onda de demissões motivadas por posicionamento político de funcionários que apoiaram a reeleição do presidente Lula (PT). No DF, uma rede de apoio reúne profissionais como advogados e psicólogos que oferecem orientações jurídicas para recorrer diante dos casos.

Dados do Ministério Público do Trabalho (MPT) divulgados na terça-feira (27) somaram 2.364 denúncias de assédio eleitoral em todo o país, das quais 92 ocorreram no DF. Atualmente, 15 casos de incentivo à demissão de trabalhadores por escolha política são apurados na capital federal.

A Constituição Federal determina que ninguém pode ser privado de direitos por motivo de convicção política. A Lei nº 9.029/1995 proíbe práticas discriminatórias que impeçam o acesso ou a permanência no trabalho. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MPE), a discriminação por posicionamento político é reconhecida pelo órgão como uma prática que pode configurar assédio eleitoral.


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Editado por: Clivia Mesquita

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