A fuga de Flávio Bolsonaro (PL) e a carta golpista por ele divulgada foram rejeitados até mesmo por partidos aliados. O episódio abre um espaço de disputa política no campo conservador, que já projeta quadros para 2030.
O cientista político Paulo Niccoli Ramirez, professor da Fundação da Escola de Sociologia e Política (FESPSP), afirma que o movimento de Flávio faz o bolsonarismo “perder tração”, mas aposta que o enfraquecimento dessa extrema direita começou ainda na campanha. “Milhares de brasileiros que se consideram de direita se divorciaram do bolsonarismo a favor da democracia, além de toda aquela mobilização de jovens e idosos, várias pessoas convencendo amigos a votar em Lula“, avalia em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
Com o Congresso Nacional ocupado por expoentes do bolsonarismo, Flávio adotou uma postura arrogante após o primeiro turno e já dava a vitória como certa, inclusive com convites para futuros ministros. “Vimos o pedantismo do Pablo Marçal, os latidos do [Lucas] Pavanato e o Nikolas Ferreira zombando dos petistas de que iriam aposentar o Lula. Durante os debates também foram adotadas posturas ridículas”, pontua.
Na avaliação de Paulo Niccoli Ramirez, esse comportamento e a posterior derrota estimularam o desembarque do Centrão, que já sinalizou compor com Lula. A vida do bloco do PL não será, assim, tão fácil como se imaginava. “A fuga de Flávio para os EUA foi a gota d’água, o estopim para que o próprio bolsonarismo deixe de ser o cabeça de chave da ala de direita. Há um esvaziamento do bolsonarismo. Claro que a gente ainda tem lunáticos defensores do bolsonarismo, mas mesmo eles estão caindo em descrédito”, ressalta.
“Tudo vai depender de um exame de consciência do PL. Se eles quiserem se manter nisso [fiéis ao bolsonarismo], ficarão isolados”, aposta, ao comentar a própria questão da anistia e a posição hoje de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que já começa a preparar a articulação para a reeleição. “Hoje está muito claro para toda a sociedade que Jair Bolsonaro, fora da prisão domiciliar, é abrir espaço para novas tentativas de golpe”, afirma.
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