Rombo bilionário

PF indicia Vorcaro e ex-presidente do BRB por fraude em operações de R$ 17,5 bilhões

Relatório aponta R$ 12,2 bilhões em créditos sem comprovação de existência e prejuízo de R$ 2,7 bilhões ao banco público

Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, foram indiciados pela Polícia Federal em investigação sobre suspeitas de fraude em operações bilionárias entre as duas instituições
Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, foram indiciados pela Polícia Federal em investigação sobre suspeitas de fraude em operações bilionárias entre as duas instituições | Crédito: Divulgação Banco Master ; Divulgação BRB

A Polícia Federal (PF) indiciou, na quarta-feira (28), o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e outras 13 pessoas por suspeitas de crimes financeiros envolvendo operações entre as duas instituições. Segundo os investigadores, as transações movimentaram R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito, das quais R$ 12,2 bilhões não tiveram a existência comprovada. As perdas formalizadas e reconhecidas no caso chegam a aproximadamente R$ 2,7 bilhões.

As conclusões constam de um relatório com mais de 600 páginas, encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de fraude na negociação de ativos do Banco Master com o BRB, instituição financeira pública controlada pelo Governo do Distrito Federal (GDF).

De acordo com a PF, Vorcaro teria atuado diretamente na estruturação das operações para obter liquidez para o Master. O relatório também atribui responsabilidades ao ex-presidente do BRB e a ex-dirigentes das duas instituições pelas transações investigadas.

Créditos sem comprovação de existência

Uma das principais frentes da investigação envolve carteiras de crédito consignado negociadas entre o Master e o BRB. Esses ativos correspondem a valores que o banco tem a receber de clientes que contrataram empréstimos. Ao vendê-los a outra instituição, o banco antecipa recursos que receberia futuramente.

Segundo a PF, parte dos créditos transferidos ao BRB não tinha comprovação adequada de existência. Os investigadores apontam que carteiras vinculadas à Tirreno Consultoria, classificada pela polícia como empresa de fachada, teriam sido utilizadas para viabilizar transações com ativos irregulares.

O relatório indica inconsistências nos documentos e registros apresentados para sustentar os créditos negociados. A suspeita é de que ativos sem comprovação suficiente tenham sido vendidos como legítimos, permitindo ao Master obter recursos do banco público.

As operações investigadas ocorreram entre julho de 2024 e outubro de 2025. Os valores apurados têm significados distintos: os R$ 17,5 bilhões correspondem ao volume total das transações; os R$ 12,2 bilhões, aos créditos cuja existência não teria sido comprovada; e os R$ 2,7 bilhões, às perdas formalizadas e reconhecidas apontadas na investigação.

PF aponta suspeita de pagamento de propina

A investigação também apura se Vorcaro ofereceu vantagens indevidas a Paulo Henrique Costa para favorecer os interesses do Banco Master nas operações com o BRB.

Entre os elementos mencionados pelos investigadores estão seis imóveis avaliados em R$ 146,6 milhões, que estariam relacionados a possíveis pagamentos de propina ao ex-presidente do banco público.

A defesa de Costa contesta as acusações e afirma que ele não tinha conhecimento das irregularidades nas carteiras de crédito. Segundo os advogados, o ex-presidente identificou problemas nos ativos e atuou para suspender as operações de compra.

A defesa de Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, também negou participação direta ou indireta no esquema e contestou a interpretação das mensagens utilizadas pelos investigadores.

Defesas contestam prejuízos apontados

Os advogados de Vorcaro negaram que as operações envolvendo a Tirreno tenham causado prejuízo ao BRB. Segundo a defesa, os créditos negociados foram substituídos por outros ativos, e a operação teria produzido resultados positivos para o banco público.

Os advogados também questionaram a existência de provas técnicas suficientes para sustentar as conclusões da PF. A defesa argumenta que não houve perícia oficial que comprovasse os danos apontados no relatório.

O indiciamento representa a conclusão da autoridade policial sobre a existência de indícios de envolvimento dos investigados em crimes, mas não equivale a condenação judicial.

A Polícia Federal solicitou ao STF mais 60 dias para concluir perícias e diligências pendentes e apresentar um relatório complementar. Caberá à Procuradoria-Geral da República (PGR) avaliar os elementos reunidos e decidir sobre eventuais medidas judiciais.


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Editado por: Clivia Mesquita

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