Reação à derrota

‘Submissão de família’: como parlamentares do DF reagiram à carta golpista de Flávio Bolsonaro

Esquerda ironiza autoproclamação do senador, enquanto deputados da extrema direita defendem fuga

O candidato derrotado à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro
O candidato derrotado à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro | Crédito: Agência Senado

A carta em que Flávio Bolsonaro (PL) se declarou inicialmente o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” provocou reações diferentes entre parlamentares do Distrito Federal. Enquanto deputados do campo progressista ironizaram e criticaram a tentativa de deslegitimar o resultado das urnas, representantes da extrema direita saíram em defesa do senador, que fugiu para os Estados Unidos, classificando sua saída do país como perseguição política.

Nesta quarta-feira (28), o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso após condenação por tentativa de golpe de Estado, publicou um documento em que questionava o processo eleitoral e reivindicava para si o resultado da disputa presidencial. Após a repercussão, alterou a apresentação da carta, substituindo “verdadeiro presidente eleito” por “líder do Brasil”. A mudança não impediu que o episódio virasse motivo de ironia entre parlamentares da oposição ao bolsonarismo.

Deboche e críticas

Na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), o deputado distrital Fábio Felix (Psol) publicou um vídeo em que aparece rindo enquanto lê a carta. “Vamos brincar do dia da autoproclamação. Eu me autoproclamo Presidente das LGBTI+ do DF e vocês?”, brincou o parlamentar eleito para a Câmara dos Deputados. 

O deputado Gabriel Magno (PT) também entrou na brincadeira e escreveu no X: “Eu me autoproclamo presidente da Ursal [União das Repúblicas Socialistas da América Latina]”. O deputado distrital Max Maciel (Psol) também ironizou o episódio. “A piada já vem pronta. Realmente a submissão é algo de família! Falta até palavra pra descrever isso, o que dizer dessa família?”, publicou. 

Já a deputada distrital eleita Keka Bagno (Psol) destacou a gravidade da tentativa de contestação eleitoral. “A família Bolsonaro trata a democracia como inimiga e o Brasil como propriedade privada. A vontade popular não se apaga com postagem nem se curva a delírio autoritário”, escreveu Keka.

O deputado distrital Chico Vigilante (PT) compartilhou, em conjunto com o deputado Ricardo Vale (PT), o presidente do PT-DF, Guilherme Sigmaringa, Gabriel Magno, Agnelo Queiroz (PT) e o diretório regional do partido, uma publicação que traz as duas versões da carta de Flávio Bolsonaro com a frase “Dia da declaração maluca” sobreposta. 

A publicação critica o senador. “O sujeito perdeu nas urnas, mas queria continuar presidente no grito. Isso tem nome. A democracia brasileira não é propriedade do bolsonarismo”, diz o texto da publicação.

Publicação compartilhada por parlamentares do PT-DF ironiza a carta de Flávio Bolsonaro com a frase “Dia da declaração maluca”
Publicação compartilhada por parlamentares do PT-DF ironiza a carta de Flávio Bolsonaro com a frase “Dia da declaração maluca” | Crédito: Reprodução/Instagram

Já o ex-governador do DF e deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB) criticou a carta e contestou a narrativa de fraude eleitoral. “É um absurdo. Nossas urnas são referência no mundo. O TSE [Tribunal Superior Eleitoral] confirmou: foram apenas 34 mil votos após as 17h, derrubando na hora a tese de fraude que ele tenta vender lá fora. E vale lembrar que a prorrogação do horário também foi pedida pelo próprio PL”, escreveu. 

Rollemberg também cobrou o retorno do senador ao Brasil. “Flávio precisa deixar de ser covarde, voltar ao Brasil e enfrentar a Justiça com direito à defesa, como manda a democracia. É assim no mundo inteiro. O Brasil está polarizado e precisa ser pacificado. Esse caminho não leva a lugar nenhum”, declarou o parlamentar.

Defesa

Entre parlamentares bolsonaristas do DF, as manifestações se concentraram na defesa de Flávio Bolsonaro e na alegação de perseguição política. Embora nenhum deles tenha comentado diretamente a carta em que o senador se autoproclamou “presidente eleito”, alguns saíram em sua defesa.

O deputado federal Alberto Fraga (PL) classificou como absurda a saída do senador do Brasil. Fraga disse que não pretendia julgar os motivos da viagem, mas sugeriu que Flávio teria deixado o país diante da possibilidade de prisão. “Se ele saiu do país, com certeza saiu por alguma razão, por algum motivo. Deveria ter algo muito concreto que ele iria ser preso”, afirmou.

A deputada federal Bia Kicis (PL) também voltou a demonstrar apoio ao senador. Após compartilhar um vídeo em que Flávio contestava o resultado das urnas, publicou uma nova mensagem em que o classificou como “exilado político” e associou sua situação à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Na publicação, Kicis afirmou que a permanência de Flávio fora do país e a prisão de Jair Bolsonaro fariam o mundo enxergar o Brasil como uma “republiqueta onde direitos humanos são violados e onde a oposição é perseguida e condenada por não se curvar ao regime”.

Já o deputado distrital Thiago Manzoni (PL) divulgou um vídeo em que listou 12 brasileiros que, segundo ele, deixaram o país por perseguição política. Entre os citados estão Carla Zambelli, condenada pela justiça brasileira, e Alexandre Ramagem e Silvinei Vasques, condenados na trama golpista.

Manzoni alegou que o Brasil deixou de ser uma democracia e convocou apoiadores a se mobilizarem contra o que chamou de regime. “Agora o mundo inteiro sabe. E tudo que a gente pode fazer é ficar de pé, não se dobrar ao regime, não desistir do Brasil e continuar fazendo força e pedindo a Deus para que esse regime seja deposto”, declarou.


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Editado por: Clivia Mesquita

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