O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) registrou um aumento de 350% nas denúncias de violência política recebidas pelo canal Disque 100 entre os dias 1º e 25 de outubro. De acordo com o balanço divulgado pela pasta nesta sexta-feira (30), o serviço contabilizou 90 registros no período, frente a 20 ocorrências notificadas ao longo de todo o mês de setembro.
Na comparação entre períodos idênticos, do 1º ao 25º dia de cada mês, o crescimento atingiu 592,3%, saltando de 13 para 90 chamados. As datas das votações do primeiro e do segundo turnos, em 4 e 25 de outubro, concentraram 30% do total mensal, com 19 e 8 denúncias registradas, respectivamente.
Além do Disque 100, o ministério recebeu 41 relatórios entregues por parlamentares e partidos em reunião com a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, e mais 38 notificações por canais parceiros. No total, a pasta reuniu 189 denúncias acumuladas em setembro e outubro.
Todos os registros foram formalmente encaminhados para investigação do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), da Polícia Federal (PF), da Defensoria Pública da União (DPU), do Ministério Público (MP), do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC). Os relatos envolvem episódios de violência política de gênero, agressões étnico-raciais e restrições ao direito ao voto.
Casos no ambiente de trabalho
A disparada de denúncias coincide com a multiplicação de episódios de coação e agressões registrados no período eleitoral. No âmbito trabalhista, o MPT contabilizou 3,3 mil denúncias de assédio eleitoral em 2026, das quais 2,6 mil foram formalizadas apenas no mês de outubro.
Em apenas 48 horas após a confirmação das urnas no segundo turno, o órgão recebeu 530 notificações relativas a ameaças de demissão, cortes de contratos de autônomos e retaliações a trabalhadores por posicionamento político.
Entre os casos emblemáticos ocorridos no mês, a 4ª Vara do Trabalho de Fortaleza determinou a reintegração urgente de 22 funcionários de uma confecção no Ceará. Os trabalhadores foram dispensados sumariamente no primeiro dia útil após a votação, sob ofensas verbais do proprietário do estabelecimento relativas às suas escolhas eleitorais.
Em resposta à escalada de violações, o governo federal e órgãos de fiscalização lançaram uma força-tarefa conjunta para apurar perseguições, notificar plataformas digitais sobre listas de boicote e responsabilizar infratores civil e criminalmente.

