O Teatro do Parque, no Recife, recebe nesta sexta-feira (30), às 20 horas, o espetáculo “Mulheres de Nínive”, monólogo idealizado e protagonizado pela atriz e apresentadora Nínive Caldas. Com direção de Hilda Torres, a montagem terá apresentação única e propõe um mergulho em histórias de mulheres que tiveram suas trajetórias silenciadas, modificadas ou esquecidas ao longo do tempo. Os ingressos custam a partir de R$ 30 e podem ser adquiridos pela plataforma Sympla.
A criação surgiu de questionamentos de Nínive sobre a maneira como as mulheres foram representadas nos registros históricos. A pesquisa começou a partir da experiência da atriz interpretando Maria Madalena na Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, em Fazenda Nova. A partir desse contato, ela ampliou a investigação para outras figuras femininas, identificando aproximações entre experiências de diferentes épocas.
A dramaturgia combina textos autorais da atriz, referências de outros escritores e escritoras e música executada ao vivo por Nana Milet e Ana Paula Marinho. Identidade, memória, violência, afeto e liberdade são alguns dos temas que atravessam a narrativa, que também questiona os padrões sociais impostos às mulheres.
Em vez de se limitar às experiências de sofrimento e apagamento, a montagem procura evidenciar a força das mulheres e as possibilidades de transformação entre gerações. A proposta é reconhecer as marcas deixadas pelo passado sem deixar de olhar para outros caminhos possíveis.
“Não é um espetáculo sobre permanecer na dor, mas sobre reconhecer de onde viemos para descobrir outros caminhos. São muitas mulheres habitando uma mesma cena, atravessando umas às outras e abrindo espaço para as que ainda virão”, explica Nínive Caldas.
O título também dialoga com referências históricas e simbólicas. Nínive foi uma importante cidade da antiga Mesopotâmia, cercada por narrativas históricas e bíblicas. Esse universo se relaciona com a pesquisa cênica e com figuras como Maria Madalena e Semíramis, além de mulheres anônimas cujas histórias não chegaram aos registros oficiais.
No palco, a atriz assume diferentes vozes e experiências, sem se restringir à representação de uma única personagem. A encenação estabelece conexões entre passado e presente, aproximando trajetórias de mulheres de outros períodos históricos de questões que ainda fazem parte da realidade contemporânea.

