PROGRAMAÇÃO CULTURAL

Festival de Circo celebra 20ª edição com atrações nacionais e internacionais e programação gratuita no Grande Recife

Atividades ocupam diversos pontos da Região Metropolitana do Recife, com as mais diversas linguagens artísticas

Teatros, parques, galerias e outros espaços recebem a programação
Teatros, parques, galerias e outros espaços recebem a programação | Crédito: Macarena de Noia/Divulgação

O Recife recebe, entre esta sexta-feira (30) e 8 de novembro, a 20ª edição do Festival de Circo do Brasil, que terá apresentações em teatros, parques e espaços culturais da capital pernambucana e da Região Metropolitana. Com o tema Rebuliço, o evento reúne artistas do Brasil e de outros países em uma programação que inclui espetáculos circenses, música, cinema, exposição de artes visuais, literatura, oficinas e atividades formativas.

A abertura oficial acontece nesta sexta-feira (30), a partir das 18h, no Paço do Frevo, no Bairro do Recife, com entrada gratuita. Diversas atividades da programação têm acesso gratuito, e os ingressos para espetáculos pagos variam de R$ 10 a R$ 60, pela Sympl.

A edição comemorativa marca duas décadas de realização do festival, que tem como proposta ampliar os diálogos entre o circo contemporâneo e outras expressões artísticas, como teatro, dança, audiovisual e música. A programação também busca aproximar diferentes públicos das artes circenses, com atividades gratuitas distribuídas por diversos territórios da Região Metropolitana.

Na noite de abertura, o público poderá conferir a performance Frevo Rebuliço, da multiartista pernambucana Beatriz Nascimento, além dos espetáculos Isla of Flightless Birds, da Companhia Através, de Portugal, e Bath-Flop, da francesa Barbara Probst. Outra atração é Hold On, experiência em realidade virtual desenvolvida pela companhia francesa Cie Fheel Concepts.

Para Dani Hoover, diretora e curadora do festival, a escolha do tema representa o espírito de transformação que acompanha a história do evento. “Rebuliço é movimento, mistura, transformação e festa. Queremos celebrar esses 20 anos sem perder de vista o que o circo está criando hoje, os diálogos entre diferentes linguagens e os encontros que aproximam artistas e públicos de diversas origens. É essa inquietação que mantém o Festival vivo”, afirma.

Casa do Cachorro Preto reúne 17 artistas pernambucanos em exposição sobre o universo circense

A programação dos 20 anos do Festival de Circo do Brasil também contempla as artes visuais com a exposição Rebuliço, organizada pela Casa do Cachorro Preto. A mostra reúne trabalhos de 17 artistas pernambucanos, entre desenhos, pinturas e esculturas, que exploram diferentes interpretações do imaginário circense.

Com curadoria de Raoni Assis e Sheila Oliveira, a exposição será aberta ao público nesta sexta-feira (30), durante a programação de abertura do Festival, no Paço do Frevo, no Bairro do Recife. A visitação segue até 29 de novembro, oferecendo ao público a oportunidade de conhecer produções que dialogam com o tema desta edição comemorativa.

Parque Santana recebe espetáculos e manifestações populares

O primeiro fim de semana terá como um dos principais pontos de encontro o Parque Santana Ariano Suassuna, na Zona Norte do Recife. Nos dias 31 de outubro e 1º de novembro, o espaço recebe apresentações gratuitas de circo, atrações musicais, manifestações da cultura popular, feira de economia criativa e atividades voltadas a crianças e adultos.

Entre os destaques internacionais estão B.O.B.A.S., da espanhola Cia Jimena Cavalletti, que transforma um cortejo fúnebre em uma comédia musical, e MDR – Muerte de Risa, do grupo Los Galindos, também da Espanha. A montagem aborda temas como amizade, culpa e justiça por meio de uma narrativa marcada pelo humor ácido.

A programação inclui ainda Kinematos, da companhia argentina ManoAmano, com dois acrobatas que realizam movimentos de equilíbrio a seis metros de altura. De Portugal, chegam Isla of Flightless Birds, da Companhia Através, e Um Belo Dia, solo da artista Dulce Duca que aproxima circo, dança e teatro físico.

Representando a produção brasileira, a companhia paraibana Circo do Asfalto apresenta Gran Circo Opará, inspirado nas histórias e tradições das comunidades ribeirinhas do Rio São Francisco, e Show da Percha, espetáculo protagonizado por dois palhaços que exploram acrobacias e situações cômicas.

A cultura popular pernambucana também integra a programação. No sábado (31), o Samba de Coco Raízes de Arcoverde apresenta a tradição do trupé, preservando o legado de Mestre Lula Calixto. No domingo (1º), o Maracatu Nação Erê realiza um cortejo de baque virado com participação de crianças e adolescentes.

Durante os dois dias, a Feira Na Laje reúne iniciativas de gastronomia e economia criativa. Já as Vivências Circenses, conduzidas pela Cia Brincantes do Circo (PE), oferecem experiências com acrobacia, malabarismo, equilíbrio e técnicas aéreas.

No domingo, a programação começa às 10h, com um aulão de yoga. Também haverá a Oficina e Vivência Artística Orun Pra Erê, conduzida pelo artista e educador Orun Santana, que trabalha danças populares, jogos corporais e brincadeiras para aproximar as crianças das tradições afro-pernambucanas.

Teatros recebem produções de diferentes países

Os palcos do Recife também serão ocupados por companhias nacionais e internacionais, com montagens que exploram diferentes possibilidades do circo contemporâneo, da palhaçaria à dança, passando pela acrobacia e pelo teatro físico.

No Teatro de Santa Isabel, a argentina Sofía Galliano apresenta Velar la Noche, em 5 de novembro. O espetáculo investiga a ancestralidade feminina por meio de técnicas aéreas, dança e teatro físico. Nos dias 6 e 7, o Coletivo Instrumento de Ver, do Distrito Federal, leva ao mesmo teatro Assum Preto, criação que articula referências afro-brasileiras, dança e acrobacia para discutir racismo e resistência.

O encerramento da programação no Santa Isabel, em 8 de novembro, será marcado por Rebuliço no Cabaré das Palhaças. A criação inédita do Palhaças Futebol Clube, de Pernambuco, foi desenvolvida especialmente para a edição comemorativa e propõe intervenções em diferentes ambientes do teatro, envolvendo o público em números de humor e palhaçaria feminina.

No Teatro do Parque, o Coletivo Protnistas, de São Paulo, apresenta STA, nos dias 7 e 8 de novembro. A montagem combina música ao vivo, poesia, dança e acrobacia para abordar a espiritualidade e as experiências do corpo negro na diáspora.

Já o Teatro Apolo recebe, nos dias 3 e 4 de novembro, El Folk Chou!, do grupo mexicano Les Cabaret Capricho. Sem diálogos, o espetáculo utiliza a palhaçaria e o teatro físico para construir uma comédia inspirada no folclore mexicano.

No dia 5, a pernambucana Cia Devir apresenta gratuitamente Nove Tentativas de Não Sucumbir. A programação no Apolo termina nos dias 7 e 8, com Bath-Flop, da francesa Barbara Probst, espetáculo de comédia física que utiliza uma banheira como elemento central das situações cômicas.

Atividades gratuitas chegam a Recife, Olinda e Camaragibe

Além dos teatros e parques, o Festival promove apresentações em espaços culturais e comunitários, ampliando a circulação das atrações pela Região Metropolitana.

Em 3 de novembro, a companhia Circo do Asfalto, da Paraíba e do Rio Grande do Norte, apresenta Show da Percha em frente à Escola Municipal São José, no bairro de Aldeia, em Camaragibe. A atividade é direcionada aos estudantes e moradores da comunidade.

No dia seguinte, 4 de novembro, às 19h30, a Escola Pernambucana de Circo, na Macaxeira, Zona Norte do Recife, recebe Circo Science – Do Mangue ao Picadeiro, da Trupe Circus (PE). No mesmo horário, o Centro de Arte e Cultura Grupo Bongar, em São Benedito, Olinda, será palco de Sementes do Riso, apresentado pelos Palhaços Sem Fronteiras Brasil.

A programação também contempla a Oficina Francisco Brennand, onde o artista espanhol Joan Català apresenta, em 7 de novembro, duas sessões de Idiòfona. A proposta explora as possibilidades sonoras de objetos metálicos em uma instalação que depende da participação do público.

Outro destaque é Mau Perdedor, do argentino Tato Villanueva. Na montagem, o personagem Ferdinand, um estrangeiro que não compreende o idioma local, enfrenta uma sucessão de situações inesperadas. A comédia utiliza o humor físico para explorar as dificuldades de comunicação sem depender das palavras.

Segundo Dani Hoover, levar o festival a diferentes equipamentos culturais e espaços comunitários é uma forma de fortalecer o acesso à produção artística. “A presença do festival em equipamentos culturais e espaços comunitários amplia o acesso à arte circense e fortalece o diálogo com públicos de diferentes territórios. Queremos que o circo chegue cada vez mais perto das pessoas”, destaca.

Mostra de cinema revisita o universo circense

O audiovisual ganha espaço com o Cine Circo, realizado entre 4 e 8 de novembro, em parceria com o Cine Apipucos. A mostra gratuita acontece ao ar livre, no Parque Apipucos, e reúne cinco longas-metragens com diferentes abordagens sobre a vida e a arte circense. A curadoria é de Luiz Joaquim.

A programação começa em 4 de novembro, às 19h, com O Circo Voltou, de Paulo Caldas, documentário que acompanha a trajetória de Zé Wilson e as transformações do circo brasileiro.

No dia 5, também às 19h, será exibido Os Pobres Diabos, de Rosemberg Cariry, que acompanha uma companhia itinerante pelo sertão nordestino. Já em 6 de novembro, às 19h30, Mambembe, de Fábio Meira, apresenta uma narrativa que mistura ficção e realidade para retratar o cotidiano de mulheres circenses.

A programação segue no dia 7, às 18h, com O Palhaço, dirigido por Selton Mello, sobre um artista que atravessa uma crise de identidade e passa a questionar seus caminhos. O encerramento ocorre em 8 de novembro, às 16h30, com o clássico “O Circo”, de Charles Chaplin.

Laboratórios e intercâmbio fortalecem formação artística

A edição de 20 anos também reserva espaço para a qualificação profissional e o desenvolvimento de novas criações. Entre as iniciativas está o LAB FCB, Laboratório de Pesquisa, Formação e Criação Circense, conduzido pelo argentino Tato Villanueva e voltado a artistas pernambucanos. A ação conta com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB).

O Festival também realiza as residências artísticas Que Tempo é Teu?, de Camila Gatis, e A Mala, de Beatriz Nascimento, além de apresentar Pequenos Abismos, trabalho em processo de criação de Márcio Sá.

O Teatro Hermilo Borba Filho recebe apresentações gratuitas dos resultados da residência de Camila Gatis, da pesquisa de Márcio Sá e da mostra final do laboratório, com números desenvolvidos pelos artistas participantes.

No dia 4 de novembro, das 14h às 17h, o mesmo teatro será sede do Fala Circo, encontro que reúne programadores culturais de diferentes países para discutir possibilidades de intercâmbio e circulação de espetáculos. A iniciativa contará com oito profissionais internacionais e uma representante brasileira, vindos de Portugal, México, Espanha, França, Reino Unido e Marrocos.

A agenda inclui debates com artistas circenses e representantes das secretarias de Cultura de Pernambuco e do Recife, além de uma visita à Escola Pernambucana de Circo.

Criado em 2004 pela Luni Produções, o Festival de Circo do Brasil chega à sua 20ª edição com um histórico de mais de 700 apresentações, 360 atrações e aproximadamente um milhão de pessoas alcançadas em 19 edições. O evento também realizou sua primeira edição internacional em 2025, na cidade francesa de Toulouse, como parte das atividades do Ano Brasil-França.

A realização desta edição é da Luni Produções, com patrocínio da Petrobras, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e realização do Ministério da Cultura e do Governo do Brasil. O Festival conta ainda com suporte do Programa Iberescena 2025/2026 e apoio institucional de entidades culturais brasileiras e internacionais.

Editado por: Rostand Tiago

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