A Polícia Federal (PF) foi acionada pelo Ministério dos Povos Indígenas para investigar casos de violência contra indígenas Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul. Nesta quinta-feira (29), uma casa de reza de uma aldeia na região de Jaguapiré, em Tacuru, foi incendiada. Na mesma cidade, um servidor público enviou um áudio estimulando o envenenamento de indígenas por meio da água. O funcionário foi afastado.
Situações de violência contra indígenas têm aumentado depois do segundo turno e da virada histórica de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL).
Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a deputada federal Célia Xakriabá (Psol-MG), que denunciou os casos à Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados, afirma que a violência contra indígenas no MS é histórica e que, após período eleitoral, se acentuou. No ano passado, 37 lideranças indígenas foram assassinadas no estado.
No Paraná, conta a parlamentar, houve ameaça de matar crianças a caminho da escola. No sul da Bahia, também há casos de assassinato de lideranças. “As primeiras ameaças estavam acontecendo logo após o primeiro turno. Em Minas Gerais, o povo Tikmũ’ũn (Maxakali) teve 65% do território incendiado e, em um áudio, falam: ‘Vamos botar fogo nos territórios porque quem vai ocupar o poder é o Flávio Bolsonaro'”, afirma.
Para ela, essas eleições tiveram participação ativa dos povos indígenas. “Está havendo uma retaliação por termos feito uma das maiores campanhas ao presidente Lula”, aponta. Xakriabá também participou da representação feita junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Uma das violências foi o impedimento de votar. Não houve respeito à língua indígena. Em Minas Gerais, recebemos a denúncia de comerciantes que deram bebida alcoólica a indígenas para embriagá-los e impedir a votação. São todos abusos eleitorais que vamos reunir em um dossiê”, conta, acrescentando a importância de ações regionais, mas também em âmbito nacional, no sentido de penalizar esses abusos e evitar que se repitam nas próximas eleições. “Lutar pelos povos indígenas é também lutar pela sua própria vida”, defende.
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