A defesa de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, protocolou nesta quinta-feira (29) no Supremo Tribunal Federal (STF) um parecer preliminar que aponta supostas alterações no celular do ex-banqueiro depois da apreensão do aparelho, em novembro de 2025. O documento foi encomendado pelos próprios advogados e apresentado um dia depois de a Polícia Federal (PF) indiciar Vorcaro por fraude em operações de R$ 17,5 bilhões envolvendo o Master e o Banco de Brasília (BRB). O ex-banqueiro está preso desde março.
Segundo a defesa, a perícia foi solicitada “em virtude de Daniel Vorcaro não reconhecer a veracidade de vários dos conteúdos vazados”. O parecer afirma que, no dia da primeira prisão do ex-banqueiro, em novembro de 2025, quando o celular já estava sob custódia policial, 657 arquivos teriam sido modificados e 436 criados no aparelho. “O aparelho registrou atividade durante a madrugada, enquanto estava nas mãos do Estado, e não há um documento sequer que diga quem o manuseou, por que e com que resultado”, sustentam os advogados.
O documento cita registros do próprio relatório oficial da perícia. “Entre 23h22 de 17 de novembro e 2h25 de 18 de novembro de 2025, com o aparelho já sob custódia policial e em modo avião, o relatório oficial registra 207 eventos de tela, 33 ativações da câmera frontal pelo componente de reconhecimento facial e três conexões pela porta USB”, diz o parecer.
Com base no documento, a defesa questiona as provas usadas pela PF nos inquéritos do caso Master e pede ao STF a preservação dos dados originais da extração, o acesso a esse material e a documentação completa da cadeia de custódia, que, segundo os advogados, vem sendo solicitada desde fevereiro. Procurada, a PF não quis se manifestar.
Indiciamento
Na quarta-feira (28), a PF enviou ao STF um relatório parcial, com mais de 700 páginas, do principal inquérito sobre os esquemas relacionados ao Master e ao BRB. O documento indicia 15 pessoas, entre elas Vorcaro, o ex-sócio dele Augusto Lima e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. Segundo a PF, Vorcaro e Costa compunham o “núcleo estratégico da organização criminosa” que tentou viabilizar a compra do Master pelo banco público do Distrito Federal entre 2024 e 2025.
No mesmo relatório, os delegados pedem mais 60 dias para concluir perícias e apresentar um relatório complementar. O pedido será analisado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF.
