O novo governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), anunciou na terça-feira (27) quem comandará a Secretaria de Educação (Seed-PR) a partir de 2027, no seu governo. A então responsável pela educação em Goiás, Fátima Gavioli, assume a pasta paranaense no próximo ano com uma bagagem de denúncias e casos de humilhação contra servidores da rede goiana.
“Eu trabalhei por muitos anos nas redes municipal e estadual, e o período mais difícil foi na gestão da Gavioli. Muitas demandas para cumprir, cobra muitos resultados e não tem empatia com os servidores”, conta uma professora aposentada de Goiás, que preferiu não se identificar.
O Brasil de Fato Paraná conversou com trabalhadores das escolas da rede estadual goiana, em anonimato. O relato da maior parte dos professores é de um cenário de medo, ataques a direitos e ao salário, comportamentos arrogantes e nenhuma preocupação com a saúde mental dos profissionais.
Perseguição a professores
“Eu pretendia continuar no estado mais algum tempo, mas, devido à pressão, esperei só completar a idade mínima para aposentar, já que tinha tempo de serviço”, conta a professora aposentada.
Outro professor, que também relatou em anonimato, diz que a política de educação de Gavioli “liberou o chicote” no trato com os servidores. Uma professora da rede conta ter sofrido humilhações, perseguições e que é perigoso denunciar para não se “desgastar” com o governo do estado.
Em outubro de 2024, Gavioli estava realizando uma transmissão ao vivo pelas redes da secretaria quando foi questionada sobre a remuneração dos servidores. Sobre os salários, a coordenadora da pasta respondeu: “Está passando fome? Tem que achar um trabalho que ganha mais, porque a educação você já entrou sabendo quanto seria seu salário.”
Uma professora temporária também reclamou na transmissão que os profissionais não estavam conseguindo o direito de acompanhar seus filhos em consultas médicas pela rigidez dos contratos. Em resposta, Gavioli afirmou que o servidor que quisesse este direito deveria buscar outro emprego, afirmando que a contratação seguia a lei federal.
No dia 28 de outubro, quatro dias após a live, a professora Roberta da Silva Batista foi informada do encerramento do contrato, gerando estranhamento entre os servidores. Após a repercussão negativa, a secretária do então governador Ronaldo Caiado (PSD) se retratou pelas falas. A professora voltou à rede, porque passou em um concurso.
Gavioli assume a educação paranaense em janeiro
Fátima Gavioli é natural de Goioerê (PR), município na região noroeste do estado. A professora liderou a pasta da educação no governo de Rondônia entre 2014 e 2017, e também em Goiás, durante o governo de Caiado, entre janeiro de 2019 e março de 2026.
Neste ano, Gavioli deixou a Secretaria de Educação de Goiás (Seduc-GO) para concorrer a uma vaga como deputada federal pelo estado. A candidata não foi eleita para o cargo e retornou para a pasta em outubro, nomeada pelo atual governador Daniel Vilela (MDB).
Em janeiro de 2027, Fátima Gavioli retorna ao Paraná para assumir o cargo na Seed, com a posse do novo governador Sergio Moro.
*Estagiário sob supervisão de Murilo Bernardon.


