'NÃO TEM EMPATIA'

‘Liberou o chicote’: professores de Goiás narram cenário de medo sob pasta da próxima secretária de Educação do PR

Em 2024, uma servidora foi demitida dias depois de questionar Fátima Gavioli em uma transmissão ao vivo da Seduc-GO

Em transmissão ao vivo, sobre reclamações de baixos salários, Gavioli disse: 'Está passando fome? Tem que achar um trabalho que ganha mais'
Em transmissão ao vivo, sobre reclamações de baixos salários, Gavioli disse: ‘Está passando fome? Tem que achar um trabalho que ganha mais’ | Crédito: Reprodução/Youtube

O novo governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), anunciou na terça-feira (27) quem comandará a Secretaria de Educação (Seed-PR) a partir de 2027, no seu governo. A então responsável pela educação em Goiás, Fátima Gavioli, assume a pasta paranaense no próximo ano com uma bagagem de denúncias e casos de humilhação contra servidores da rede goiana.

“Eu trabalhei por muitos anos nas redes municipal e estadual, e o período mais difícil foi na gestão da Gavioli. Muitas demandas para cumprir, cobra muitos resultados e não tem empatia com os servidores”, conta uma professora aposentada de Goiás, que preferiu não se identificar.

O Brasil de Fato Paraná conversou com trabalhadores das escolas da rede estadual goiana, em anonimato. O relato da maior parte dos professores é de um cenário de medo, ataques a direitos e ao salário, comportamentos arrogantes e nenhuma preocupação com a saúde mental dos profissionais.

Perseguição a professores

“Eu pretendia continuar no estado mais algum tempo, mas, devido à pressão, esperei só completar a idade mínima para aposentar, já que tinha tempo de serviço”, conta a professora aposentada.

Outro professor, que também relatou em anonimato, diz que a política de educação de Gavioli “liberou o chicote” no trato com os servidores. Uma professora da rede conta ter sofrido humilhações, perseguições e que é perigoso denunciar para não se “desgastar” com o governo do estado.

Em outubro de 2024, Gavioli estava realizando uma transmissão ao vivo pelas redes da secretaria quando foi questionada sobre a remuneração dos servidores. Sobre os salários, a coordenadora da pasta respondeu: “Está passando fome? Tem que achar um trabalho que ganha mais, porque a educação você já entrou sabendo quanto seria seu salário.” 

Uma professora temporária também reclamou na transmissão que os profissionais não estavam conseguindo o direito de acompanhar seus filhos em consultas médicas pela rigidez dos contratos. Em resposta, Gavioli afirmou que o servidor que quisesse este direito deveria buscar outro emprego, afirmando que a contratação seguia a lei federal.

No dia 28 de outubro, quatro dias após a live, a professora Roberta da Silva Batista foi informada do encerramento do contrato, gerando estranhamento entre os servidores. Após a repercussão negativa, a secretária do então governador Ronaldo Caiado (PSD) se retratou pelas falas. A professora voltou à rede, porque passou em um concurso.

Gavioli assume a educação paranaense em janeiro

Fátima Gavioli é natural de Goioerê (PR), município na região noroeste do estado. A professora liderou a pasta da educação no governo de Rondônia entre 2014 e 2017, e também em Goiás, durante o governo de Caiado, entre janeiro de 2019 e março de 2026. 

Neste ano, Gavioli deixou a Secretaria de Educação de Goiás (Seduc-GO) para concorrer a uma vaga como deputada federal pelo estado. A candidata não foi eleita para o cargo e retornou para a pasta em outubro, nomeada pelo atual governador Daniel Vilela (MDB).

Em janeiro de 2027, Fátima Gavioli retorna ao Paraná para assumir o cargo na Seed, com a posse do novo governador Sergio Moro.

*Estagiário sob supervisão de Murilo Bernardon.

Editado por: Murilo Bernardon

|

Newsletter