No dia seguinte ao segundo turno, as redes sociais foram inundadas por postagens de bolsonaristas ressentidos com a derrota de Flávio Bolsonaro (PL), estimulando a demissão de trabalhadores e trabalhadoras que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Alguns políticos da extrema direita, como a vereadora de Londrina Jessicão (PL-PR), eleita deputada estadual, e o vereador de Curitiba Guilherme Kliter (Novo-PR), também eleito deputado federal, entraram na campanha de retaliação ao trabalhador.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu mais de 500 denúncias de assédio eleitoral no trabalho nas 48 horas após a definição das eleições. Até o momento, já foram mais de 3.300 denúncias neste ano.
Além disso, em alguns lugares do Brasil, listas de estabelecimentos petistas foram feitas por bolsonaristas, sugerindo um boicote. Essa prática de sinalizar comércio a partir da ideologia ou preferência política remonta à Alemanha nazista, quando locais de judeus eram marcados.
Diante do cenário, o Ministério do Trabalho e Emprego, em ação conjunta com outros órgãos federais, anunciou um pacote de medidas para combater o assédio eleitoral no ambiente de trabalho.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político Benedito Tadeu César afirma que uma das características da democracia é a transição de governo sem violência, e os episódios mostram um cenário preocupante. “Há um acirramento da violência política, que vem numa escalada. A cada eleição, ela vem aumentando. É preocupante que está havendo um crescimento, inclusive com casos de mortes”, pontua.
César traça um paralelo entre o que está acontecendo neste período pós-eleitoral no Brasil com o nazismo e fascismo. “A gente tem referências históricas. Na Itália, os Camisas Negras espancavam sindicalistas e dissidentes partidários. E na Alemanha tivemos as SAs, que eram as tropas de choque nazistas, que funcionavam na base da intimidação”, exemplifica.
Para o cientista político, a gravidade da violência ideológica é que ela não é direcionada apenas a uma pessoa, mas a um grupo de pensamento político. “É uma violência coletiva, porque ela visa intimidar todos aqueles que compactuam com aquele pensamento. Então é uma perseguição aos petistas, aos lulistas. Assim como a gente deveria repudiar se houvesse perseguição contra os bolsonaristas, mas, ao que sei, não está acontecendo. A violência tem sido unilateral”, destaca.
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