Uma nova jornada de mobilizações de massa contra a crise de moradia e o aumento do custo de vida tomou as ruas de países europeus como França e Alemanha neste sábado (31). O movimento, impulsionado por entidades estudantis, centrais sindicais e grupos de jovens, registrou marchas em dezenas de cidades europeias, marcando mais um final de semana de protestos no continente.
Na França, o Ministério do Interior informou que cerca de 320 mil pessoas participaram das manifestações em todo o país, sendo 70 mil na capital, Paris. Já as centrais sindicais e organizadores dos atos, como a Confederação Geral do Trabalho (CGT) e o sindicato docente SNES-FSU, estimam que a participação total aproximou-se de 500 mil manifestantes.
Na capital francesa, a caminhada ocorreu sob forte esquema de repressão, com a mobilização de 70 mil policiais, e o veto oficial ao uso de máscaras de Halloween para disfarçar o rosto.
Apesar do caráter majoritariamente pacífico das caminhadas, confrontos isolados foram registrados ao final da tarde na região da Porte de Bagnolet e na Place de la Nation, onde forças policiais lançaram gás lacrimogêneo para dispersar pequenos grupos de manifestantes.

As marchas francesas contaram com a presença de lideranças da esquerda, como o dirigente Jean-Luc Mélenchon, da França Insubmissa (LFI), e a eurodeputada Rima Hassan, que criticaram o arrocho salarial e o sucateamento dos serviços públicos.
As forças de segurança francesas detiveram mais de 290 pessoas em todo o país, segundo balanço do governo francês divulgado pela agência AFP. A ação policial ocorreu em meio ao forte patrulhamento e aos confrontos registrados no encerramento das marchas em cidades como Paris, Toulouse e Marselha, onde agentes dispararam gás lacrimogêneo contra manifestantes.
Na Alemanha, os protestos foram liderados pela organização juvenil Gen Z regelt (Gen Z assume o controle), que convocou atos em 34 cidades, incluindo Berlim, Frankfurt, Munique e Leipzig.
Os manifestantes protestaram contra a elevação dos aluguéis nas grandes metrópoles, os cortes no orçamento da educação e as propostas governamentais de restauração do serviço militar obrigatório.

A escalada das manifestações reflete um descontentamento social generalizado com a deterioração das condições de vida e a precarização dos serviços públicos na Europa Ocidental,.
Diante da continuidade da crise, entidades estudantis francesas preveem novos bloqueios em escolas e universidades no início da semana, enquanto as centrais sindicais já convocaram uma greve geral nacional na França para a próxima quinta-feira (5).

