De norte a sul da Grande São Paulo, a periferia se reúne em rede para construir, plantar, colher, fazer arte e confraternização, unindo permacultura, agricultura orgânica, formação e resistência. A Rede Permaperifa movimenta, por meio de mutirões, comunidades na região metropolitana da capital e em municípios do litoral paulista.
O Bem Viver esteve na Horta Popular Irati e no espaço Cultura no Beco, na Vila Irati, em Taboão da Serra, município da Grande São Paulo, que fazem parte da rede. Antes um terreno abandonado onde as pessoas despejavam lixo e entulho, o espaço começou a se transformar durante a pandemia. Hoje tem horta, pomar, um galpão onde acontecem aulas, reuniões e festas.
“Eu cheguei por meio da dona Maria. A gente vinha pegar um kit de alimentação. Na pandemia, o pessoal começou a dar. Eles traziam o marmitex. Depois, a pandemia acabou. E a gente começou na horta, fazendo tudo, plantando, colhendo”, conta a aposentada Iraci Jesus Marques, a Dona Iraci, uma das mais ativas integrantes do coletivo.
Há mais de 30 anos em São Paulo e hoje aposentada, dona Iraci aproveita o dia a dia na horta para usar o que aprendeu ainda no interior da Bahia. Assim também acontece com a sua amiga, Maria Oliveira Souza, que veio do Paraná, mais ou menos na mesma época, e também cresceu na agricultura.
“Então, eu vim da lavoura, aí você guarda aquele conhecimento. Como a gente já entendia, a gente foi auxiliando cada um com o que sabia na horta”, conta Dona Maria, que trouxe os netos para as atividades.
“Meu neto faz capoeira, inglês, reforço escolar. Meu outro neto começou na capoeira, depois ele foi para o Kung Fu, futebol, depois ele foi para o Karatê. Hoje ele é faixa-preta em karatê, faz faculdade de educação física. Já faz estágio remunerado lá na academia em Pinheiros. Ele começou aqui, é sementinha daqui”, disse orgulhosa.
A arte também está muito presente em toda a concepção da Permaperifa. Antes da Vila Irati, Taboão da Serra contava, desde 2012, com o coletivo Horta de Gueto, que misturava sound system e agricultura urbana nas praças. Até que, em 2019, surgiu a oportunidade de ocupar o terreno. “Que a gente pudesse ter um pouco mais de acesso à terra e pudesse ampliar as nossas práticas em agricultura, em feiras”, lembra Alex Silva Marinha, o Alex Żüdãö, um dos fundadores da Rede Permaperifa e do Cultura do Beco e morador da Vila Irati.
Para a construção do barracão, surgiu a parceria com o grupo da Capoeira Irmãos Guerreiros, do mestre Marrom. E, assim, a partir da necessidade e da solidariedade, vai se construindo a rede. Os grafiteiros também participam com muros pintados com cenas e pessoas da comunidade.
“Tem espaços que precisam de manutenção de canteiro, tem espaço que precisa de uma construção de algum espaço. Precisa construir um galinheiro, precisa construir uma composteira. E aí entra a bioconstrução, entram diversas técnicas de permacultura e agroecologia, e é uma forma das pessoas se ajudarem, ajudarem a fortalecer esses espaços, que, muitas vezes, esses espaços estão nas periferias e são espaços que não têm esse fortalecimento, então é uma forma das pessoas se autogerirem”, explica a historiadora e integrante da Rede Permaperifa, Shayane Rodrigues Vieira.
Como rede, a Permaperifa se integra entre as comunidades, por meio dos mutirões, que acontecem trimestralmente. O último, o 36º mutirão, aconteceu em setembro, na União Vila Nova, na Zona Leste de São Paulo.
“São pessoas que estão resistindo dentro desses espaços da cidade, buscando principalmente nessa luta a questão da soberania alimentar, de levar uma alimentação saudável. Dentro de espaços que são muitas vezes pequenos, para essas pessoas que não têm esse acesso a esses alimentos, justamente as pessoas que também necessitam e muito desses alimentos. São as pessoas que estão nas quebradas, nas periferias, nos pontos mais esquecidos da cidade”, completa Vieira.
E tem mais…
O Bem Viver traz também o projeto “Campo e Ciência”, uma iniciativa da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em parceria com o governo federal. O projeto leva máquinas e infraestrutura a assentamentos da reforma agrária para modernizar o trabalho e dar suporte à agricultura familiar.
A chef Gema Sotto ensina o passo a passo de um tradicional bolo de mandioca (aipim ou macaxeira), ideal para o café da tarde.
Uma visita à Banca do Cordel, no Mercado Municipal de Aracaju (SE), com a participação do poeta Ronaldo Dória Dantas.
E a experiência do Vale das Borboletas, na China, exemplificando a união entre preservação da biodiversidade, turismo ecológico e geração de renda.
Quando e onde assistir?
No YouTube do Brasil de Fato, todo sábado às 13h, tem programa inédito. Basta clicar aqui.
Na TVT: sábado às 13h; com reprise domingo às 6h30 e terça-feira às 20h no canal 44.1 – sinal digital HD aberto na Grande São Paulo e canal 512 NET HD-ABC.
Na TV Brasil (EBC), sexta-feira, às 6h30.
Na TVE Bahia: sábado às 12h30, com reprise quinta-feira às 7h30, no canal 30 (7.1 no aparelho) do sinal digital.
Na TVCom Maceió: sábado às 10h30, com reprise domingo às 10h, no canal 12 da NET.
Na TV Floripa: sábado às 13h30, reprises ao longo da programação, no canal 12 da NET.
Na TVU Recife: sábados às 12h30, com reprise terça-feira às 21h, no canal 40 UHF digital.
Na UnBTV: sextas-feiras às 10h30 e 16h30, em Brasília, no Canal 15 da NET.
TV UFMA Maranhão: quinta-feira às 10h40, no canal aberto 16.1, Sky 316, TVN 16 e Claro 17.

