O Ministério da Educação (MEC) está reunindo denúncias de violência política ocorrida durante e após as eleições 2026. Relatos feitos à Ouvidoria do órgão ou enviados a universidades e institutos federais serão encaminhados à Polícia Federal (PF) e à Advocacia-Geral da União (AGU).
A medida foi tomada diante de ameaças contra universidades federais, estudantes e docentes circularem nas redes sociais logo após o primeiro turno das eleições, ocorrido em 4 de outubro. Nesse momento, o ministério solicitou investigação da PF e também acionou a AGU para a adoção das medidas jurídicas cabíveis.
Em nota à imprensa, o MEC informou que foram pedidas providências “diante da gravidade das ameaças de violência e de destruição patrimonial, além da utilização de símbolos nazistas contra as universidades federais, estudantes e docentes reportadas.”
A pasta informou que, como os processos de investigação ainda estão em andamento, novas denúncias serão adicionadas ao processo.
“O MEC reforça que as instituições de ensino devem ser, por essência, espaços plurais, de tolerância, diálogo e respeito à diversidade de ideias”, diz a nota.
O ministério destacou ainda que repudia qualquer tipo de ameaça, ofensa ou discriminação no ambiente estudantil e acadêmico, independentemente de sua motivação.
“A Constituição Federal garante o direito à liberdade de expressão e de pensamento, princípios fundamentais para a consolidação da democracia brasileira”, destaca o informe.
Caso em apuração
A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) foi alvo de um incêndio de grandes proporções no dia 7 de outubro. O fogo na sede da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine), que integra o Núcleo de Inovação Tecnológica da universidade, começou por volta das 20h.
Durante a semana do incêndio, circularam uma série de prints de mensagens com ameaças de ataques contra universidades públicas em Pernambuco em grupos bolsonaristas. A PF apura o caso.
Expulsão em Maringá
No último sábado (31), a UniCesumar, universidade privada sediada em Maringá, no noroeste do Paraná, informou, em comunicado, que expulsou estudantes do curso de Medicina envolvidos na divulgação de mensagens discriminatórias contra bolsistas e com referências ao nazismo. Segundo a instituição, a decisão foi tomada após a conclusão de uma sindicância interna. As mensagens circularam em um grupo de WhatsApp da turma no domingo (25), após o resultado eleitoral.
“A Comissão de Sindicância recomendou e a Reitoria da UniCesumar decidiu pela aplicação de medidas disciplinares em relação aos alunos envolvidos, nos termos do Regimento Interno da universidade. As medidas disciplinares foram: advertências, suspensões e desligamentos do quadro discente da instituição, de acordo com a gravidade de cada conduta apurada”, informa o comunicado publicado no Instagram da universidade.
A UniCesumar não especificou quantos estudantes foram responsabilizados pelas mensagens discriminatórias. A instituição também declarou repudiar qualquer tipo de preconceito e informou que o Núcleo de Apoio ao Estudante de Medicina (NAEME) está à disposição dos alunos para oferecer acolhimento, orientação e suporte. O atendimento pode ser feito pelos telefones (44) 99122-3957 e (44) 3027-6360, ramal 2870.
Os comentários ofensivos desqualificavam estudantes que ingressaram no curso de Medicina por meio de programas sociais. Uma das mensagens dizia: “Quem paga trabalhou e tem 15 mil por mês para pagar >>>>>>> Quem passou numa provinha”.
Outras mensagens recorriam a expressões e imagens associadas ao nazismo para intimidar os bolsistas. Um estudante compartilhou uma fotografia do Exército nazista acompanhada de referências ao “leite cru”, expressão que se popularizou em grupos na internet ligados à defesa da supremacia branca.
O Ministério Público Federal (MPF) abriu uma investigação para apurar o caso. O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) também se manifestou publicamente e ressaltou o compromisso da profissão com a humanidade.
“Tais atitudes ferem diretamente os princípios fundamentais do Código de Ética do Estudante de Medicina, segundo os quais o estudante deve estar a serviço da saúde do ser humano e da coletividade, exercendo suas atividades sem discriminação de qualquer natureza.”

