Fugindo da culpa

Trump descarta encontro com Flávio, mas diz que ele pode ficar o quanto quiser

Mais cedo, secretário de Estado dos EUA negou envolvimento na fuga do senador brasileiro

Presidente dos EUA, Donald Trump, fala com jornalistas ao chegar para uma festa de Halloween em sua residência Mar-a-Lago em Palm Beach, Flórida
Presidente dos EUA, Donald Trump, fala com jornalistas ao chegar para uma festa de Halloween em sua residência Mar-a-Lago em Palm Beach, Flórida | Crédito: Brendan Smialowski/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descartou se reunir com Flávio Bolsonaro (PL) após fuga dele para o país. Ao falar com jornalistas em sua residência na Flórida no sábado (31), ele disse que, apesar de não ter planos para o encontro, Flávio poderá ficar nos Estados Unidos pelo tempo que quiser.

Mais cedo, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que Washington não participou diretamente da fuga após sua derrota eleitoral de Flávio Bolsonaro. “O governo dos Estados Unidos não esteve diretamente envolvido” no percurso realizado pelo senador e ex-candidato, declarou, segundo informações da agência internacional AFP. A declaração foi dada durante coletiva de imprensa na Cúpula de Chanceleres do G20, em Atlanta, na Geórgia.

A afirmação, no entanto, é contrariada pela imprensa estadunidense. Os jornais The New York Times e The Wall Street Journal apontam que o avião que levou o político aos Estados Unidos foi fretado por Jason Miller, assessor de Trump. À AFP, o diretor da companhia aérea informou que o voo de Flávio foi pago por um intermediário a partir de uma conta bancária estadunidense.

Decisões da Justiça

Apesar da tentativa de afastar a responsabilidade direta de Washington, a acolhida oferecida ao parlamentar ocorre em meio ao descumprimento ostensivo de determinações da Justiça brasileira. Flávio Bolsonaro fugiu do Brasil descumprindo a ordem de retenção e entrega de passaportes emitida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em inquérito que apura crimes contra as instituições democráticas.

A rota de fuga teria sido articulada com o suporte de governos alinhados à extrema direita na região. O senador cruzou a fronteira por Puerto Iguazú, na Argentina do aliado Javier Milei, fez escala no Equador e desembarcou em Miami.

Horas após a chegada aos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro divulgou uma carta golpista em que se autodeclarou “presidente eleito”, repetindo a tática adotada pelo opositor venezuelano Juan Guaidó.

Na Flórida, o candidato derrotado passou a integrar uma estrutura permanente de cooperação política da extrema direita contra as instituições brasileiras. O local já abrigava o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, condenado pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão, o ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem, condenado a 16 anos por participação na trama golpista de 2022, e o influenciador Paulo Figueiredo.

*Com informações de AFP e Opera Mundi

Editado por: Monyse Ravena

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