O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo, adiou a entrega das estações Brasilândia e Itaberaba-Hospital Vila Penteado, que compõem o segundo trecho da Linha 6-Laranja do Metrô na zona norte da capital paulista.
As duas paradas haviam sido prometidas pelo governador para o mês de outubro durante a inauguração do primeiro segmento da linha, realizada em 2 de julho, no limite do prazo estipulado pela legislação eleitoral para a participação de candidatos à reeleição em entregas de obras públicas. Apesar do descumprimento do prazo anunciado, a concessionária Linha Uni e a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) não definiram uma nova data para a abertura das estações.
De acordo com o diretor sindical Junior Luiz Barbosa Neto, do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil, “ao invés de esperar a conclusão de um trecho funcional para a população, optou-se por abrir algumas estações justamente para usar isso na eleição, e criou um fato político consumado antes do período eleitoral, mas transferiu o gargalo real para a conclusão das obras”.
Em nota, a Artesp limitou-se a informar que a conclusão do trecho possui “previsão de operação até o final deste ano”, alegando que alterações no cronograma são permitidas mediante análise regulatória. A concessionária declarou que não tinha acréscimos ao posicionamento do órgão regulador.
Crítica sindical ao oportunismo eleitoral
Sem informações oficiais sobre os motivos operacionais do adiamento, o Sindicato dos Metroviários de São Paulo contesta a gestão do cronograma e aponta a utilização política das entregas sobre trilhos.
O secretário-geral do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Bernardo Figueiredo de Lima, destaca a falta de transparência técnica e a repetição de expedientes de apelo eleitoral no transporte público. “O governo Tarcísio, assim como o governo anterior, tem o costume de anunciar expansões na linha metroviária nos anos eleitorais, e a maioria delas não se confirma”, disse.
“Provavelmente essa é mais uma promessa frustrada do governo Tarcísio com a motivação de ganhar as eleições”, completou o dirigente sindical Bernardo.
A avaliação do sindicato soma-se aos questionamentos apresentados desde a abertura parcial da linha. Em julho, a entidade já havia criticado a aceleração artificial dos prazos promovida pela gestão estadual às vésperas do período de campanha.
Para o sindicalista Junior, o prazo de outubro divulgado pela gestão estadual já era “artificial” e os custos decorrentes desses sucessivos aditamentos e remanejamentos de cronograma acabam recaindo sobre a população.
“Esse prazo de outubro já era artificial, já se sabia que não se conseguiria entregar Brasilândia e Itaberaba nesse período. O governo Tarcísio assumiu um adicional bilionário somente para acelerar o cronograma e entregar o primeiro trecho antes da eleição, mas a ação política fala mais alto e a população é quem sempre sofre”, disse Junior.
Histórico de obras inacabadas
A entrega realizada em julho abriu seis das 15 estações previstas para a Linha 6-Laranja em regime de “operação assistida”, funcionando apenas de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h, sem cobrança de tarifa e sem integração.
Especialistas em mobilidade urbana e usuários apontam que a inauguração às pressas serviu prioritariamente como plataforma de propaganda política, sem resolver o deslocamento diário da classe trabalhadora nos horários de pico.
Na ocasião da inauguração, o especialista em mobilidade urbana Rafael Calabria destacou que a abertura parcial caracterizou-se como uma estratégia eleitoral. “Na prática, a linha não está inaugurada ainda. Ela está em uma operação controlada que eles chamam operação assistida”, disse.
Anunciada em 2008 durante o governo José Serra (PSDB) e iniciada em 2015 na gestão Geraldo Alckmin (PSB), a construção da Linha 6-Laranja acumula paralisações decorrentes das investigações da Operação Lava Jato envolvendo as antigas empreiteiras responsáveis.
O empreendimento é estruturado como a primeira Parceria Público-Privada (PPP) integral do metrô paulista, com contrato de R$ 19 bilhões por 30 anos, concedido à empresa espanhola Acciona. A conclusão integral das 15 estações, ligando a Brasilândia à estação São Joaquim no centro da capital, está prometida apenas para outubro de 2027.

