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‘Se 40% dos judeus concordassem com Estado palestino, haveria paz’, diz presidente da Fepal

Ualid Rabah avalia formação do Parlamento e condições que privilegiam manutenção de poder a Netanyahu

An Israeli flag partially conceals a woman holding a placard showing two caricatures of Prime Minister Benjamin Netanyahu at a demonstration in Herzliya, Israel, on October 29, 2026. The rally followed Israel's October 27 parliamentary election, which left both Prime Minister Benjamin Netanyahu's bloc and the opposition led by Gadi Eisenkot short of a majority in preliminary results, as demonstrators urged Eisenkot's Yashar party to cooperate with Arab political parties in forming a government. (Photo by Tomer Neuberg / Middle East Images via AFP)
Manifestação pede que oposição árabe seja respeitada e que Eisenkot aceite compor com o bloco com o objetivo maior de derrotar Netanyahu | Crédito: Photo by Tomer Neuberg / Middle East Images via AFP

As eleições em Israel ficaram marcadas pela colocação em xeque do poder do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e um avanço no número de cadeiras do partido de representação palestina, que conseguiu 19 das 120 cadeiras do Knesset. No entanto, apesar do avanço da oposição, ainda não há maioria para retirar Netanyahu do poder, e isso dependerá de alianças. Um dos grandes obstáculos para uma coalizão forte é que, mesmo entre os partidos de oposição, o sionismo é maioria. Embora com algumas diferenças de atuação, com exceção dos partidos árabes, essencialmente, as outras legendas até aceitam negociar a formação de um Estado Palestino, mas que se mantenha subjugado a Israel. Ou seja, rejeitam a autodeterminação do povo palestino.

Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Ualid Rabah, presidente da Federação Árabe Palestina (Fepal), afirma que, para compreender o cenário político atual e a formação do novo parlamento, é preciso identificar o voto judaico e o não judaico, que seria o voto passível de ser considerado de esquerda. “O voto não judaico é o voto palestino dos que permaneceram naquela região depois da limpeza étnica de 1948. Das 19 cadeiras não sionistas, as duas listas foram feitas pelo voto árabe. A população originária palestina representa de 21% a 23%”, afirma.

Rabah reforça que, mesmo com as 19 cadeiras, o parlamento, “em maior ou menor grau, considera que o Estado palestino não deve existir, concordando com a ocupação da Cisjordânia e da construção de colonatos, mantendo o bloqueio e apoiando o genocídio em Gaza”.

Além disso, o especialista explica que, mesmo os partidos não sionistas, são obrigados a concordar com a exigência de que Israel seja um Estado exclusivamente judeu para poderem ter cadeiras no parlamento. “Apenas pessoas de fé judaica têm autodeterminação”, critica.

Outra importante provocação trazida por Ualid Rabah é que, para ter maioria, o bloco não sionista deveria ter 42 cadeiras. “Ou seja, se 40% dos judeus em Israel concordassem de que pelo menos deveria haver um Estado Palestino em parte do território tomado, haveria paz”, ressalta. “Israel é o único estado da história moderna em que 100% da sua população judaica adere a alguma coisa parecida com o nazismo. E ela não é”, continua.

Estados Unidos, o país aliado de primeira hora de Israel, também vive eleições de meio de mandato que poderão reconfigurar a força no Parlamento e um possível crescimento da oposição a Donald Trump, que, por sua vez, depende da manutenção de poder de Netanyahu para seguir tendo alguma influência no Oriente Médio. “Trump depende de uma guinada mais extremista na política externa. Está quase certo que perderá a maioria na Câmara e talvez no Senado. Então ele partiria para uma política externa mais agressiva para se legitimar”, avalia, ao destacar que este é o momento em que há maior iminência de uma Terceira Guerra Mundial.

“Existe a possibilidade de um ataque nuclear ao Irã. E é isso que tem feito com que Trump tenha dificuldades de conseguir um apoio resoluto de seus aliados petromonárquicos do Golfo, especialmente os Emirados Árabes. O ataque nuclear traria consequências para toda aquela região, inclusive contaminando aquíferos”, afirma.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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