Oriente Médio

EUA voltam a atacar ilha no Irã em meio a negociações diplomáticas e alerta de Teerã para ‘resposta imprevisível’

Bombardeios a Qeshm ocorrem após captura de drones e declarações de Trump sobre possibilidade de acordo

Retrato do líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, durante manifestação em frente a um outdoor anti-EUA, em Teerã
Retrato do líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, durante manifestação em frente a um outdoor anti-EUA, em Teerã | Crédito: Atta Kenare/AFP

Os Estados Unidos lançaram uma série de bombardeios contra a ilha de Qeshm, no Estreito de Ormuz, em uma ofensiva realizada poucas horas após acenos diplomáticos de parte a parte e às vésperas das eleições de meio de mandato estadunidenses.

A ação militar ocorre no momento em que a cúpula política iraniana reforça os canais de diálogo, ao mesmo tempo em que adverte Washington de que qualquer nova agressão provocará uma “resposta imprevisível”.

A declaração foi proferida pelo presidente do Parlamento do Irã e principal negociador do país, Mohammad Bagher Ghalibaf, durante sessão legislativa nesta terça-feira (3). De acordo com o dirigente iraniano, o país mantém a prontidão de suas forças de defesa e apresentou uma posição racional aos EUA, cabendo agora à Casa Branca a responsabilidade de evitar a escalada do conflito.

“Nossa resposta militar e estratégica a qualquer erro de cálculo do inimigo será imprevisível”, afirmou Ghalibaf, destacando que Teerã não se submeterá a ameaças militares.

Apesar do ataque a Qeshm, ilha estratégica para a defesa naval iraniana, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, sinalizou a continuidade da via diplomática ao informar que o Líder Supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei, concedeu autorização ao governo para conduzir conversações com Washington.

As negociações indiretas são intermediadas pelo Catar e por Omã, contando também com o suporte diplomático da China em reuniões recentes realizadas em Pequim.

No âmbito militar, a Marinha do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC) informou que capturou dois drones intactos de reconhecimento MQM-170 das Forças Armadas dos EUA sobre Qeshm. O sistema de guerra eletrônica iraniano assumiu o controle de navegação das aeronaves não tripuladas sem destruí-las, permitindo a análise técnica e de inteligência dos equipamentos.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump e o vice-presidente JD Vance manifestaram otimismo sobre a possibilidade de um acordo. Contudo, autoridades estadunidenses citadas pela imprensa internacional classificaram as explosões em Qeshm como “ataques defensivos”, em um cenário em que a disputa eleitoral de meio de mandato pressiona os desdobramentos da guerra.

Editado por: Rafaella Coury

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