O porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, afirmou nesta terça-feira (3) que a falta de reação pública de organizações ocidentais de direitos humanos às notícias sobre uma prisão secreta na Ucrânia não surpreendeu Moscou. Para ele, as estruturas europeias tentam proteger a liderança ucraniana de escândalos.
Peskov observou que a história em torno da instalação na região de Petropavlivska Borshahivka, perto de Kiev, já gerou ampla atenção pública, mas até o momento não houve reação significativa do Ocidente.
De acordo com ele, a Europa está fazendo todo o possível para proteger a Ucrânia de escândalos, incluindo o acobertamento das denúncias sobre a câmara de tortura perto de Kiev. “É claro que isso já atraiu a atenção mundial”, frisou o porta-voz.
Na última segunda-feira (2), foi noticiado que homens armados mantinham cerca de 40 pessoas reféns no porão de uma casa na vila de Petropavlivska Borshahivka, na região de Kiev. Uma multidão se reuniu no local e exigiu a entrada de um médico. Quatro pessoas foram retiradas do prédio e levadas para o hospital.
Ao chegar ao local, o chefe da Guarda Nacional da Ucrânia, Oleksandr Pivnenko, afirmou que militares de seu departamento, incluindo aqueles que “abandonaram suas unidades sem permissão”, estariam no porão. A população exigiu a libertação dos que permaneciam lá dentro e entrou em confronto com a polícia.
De acordo com publicações na mídia ucraniana, a suposta prisão seria um edifício do Batalhão Azov, unidade militar da Guarda Nacional da Ucrânia, criada em 2014 como uma milícia voluntária de extrema-direita com associações ao neonazismo.
Na véspera, a polícia ucraniana negou relatos de dezenas de reféns e uma morte, alegando que tropas da Guarda Nacional estavam presentes no local. Enquanto isso, relatos conflitantes de testemunhas oculares sobre possível violência contra homens dentro da prisão foram publicados nas redes sociais e na mídia ucraniana. Mais tarde, foi revelado que aproximadamente 40 homens estavam detidos no prédio.
Ao comentar os rumores de que instalação poderia ser usada para deter desertores e militares que se recusaram a combater com as forças ucranianas no conflito com a Rússia, o porta-voz do Kremlin afirmou que aqueles que não desejam servir no exército ucraniano podem se entregar e se juntar aos militares russos.
“Aqueles que não querem lutar pelo regime de Kiev podem se render às nossas tropas”, disse Peskov, respondendo a uma pergunta sobre a possível assistência da Rússia aos ucranianos mobilizados à força.
Segundo o porta-voz do Kremlin, as autoridades ucranianas estão enfrentando “sérias dificuldades com aqueles que desejam continuar lutando pelos interesses deste regime”. “Não há pessoas para mobilizar, um grande número de desertores, um grande número de feridos graves e aqueles que não podem continuar servindo. Esses problemas de pessoal são bem conhecidos”, afirmou Peskov.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, também comentou o incidente, afirmando que tais instalações fechadas são uma das ferramentas que mantêm o poder do líder ucraniano, Volodymyr Zelensky.

