Lideranças políticas e militares do Irã reagiram aos resultados das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos afirmando que a derrota do Partido Republicano no Congresso reflete a rejeição da população estadunidense à guerra no Oriente Médio.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou, nesta quarta-feira (4), em sua conta na rede social X, que os eleitores enviaram um recado claro à Casa Branca. “Seja pela consciência ou pelo custo de vida, os estadunidenses disseram não à guerra, e nós endossamos essa mensagem”, afirmou Ghalibaf.
O parlamentar advertiu o governo dos Estados Unidos a não trair a vontade da população para atender a interesses externos e alertou que novo erro de cálculo de Washington resultará em resposta severa de Teerã. “Se o governo dos EUA trair a vontade pública para servir a credores internacionais e chantagistas, ele aprenderá que nosso ‘não’ vem acompanhado de um pesadelo”, escreveu.
A avaliação de que o pleito funcionou como um referendo sobre a política externa da gestão Donald Trump foi endossada pelo assessor do comando do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC), Hamid Reza Moqaddamfar.
Em discurso proferido na cidade portuária de Bandar Abbas, o militar iraniano destacou que o aumento nos preços dos combustíveis e os custos econômicos do conflito desgastaram a base eleitoral republicana. Em entrevista ao The Wall Street Journal, o próprio presidente Trump reconheceu a influência do confronto, admitindo que o conflito com o Irã “foi parte” das causas da derrota de seu partido nas urnas.
Declínio de hegemonia
Em mensagem publicada por ocasião do Dia Nacional de Luta contra a Arrogância Global, o Líder Supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou que a resistência iraniana expôs o enfraquecimento da presença estadunidense na região. Segundo Khamenei, a hegemonia de Washington sofreu um declínio irreversível tanto no poder militar bruto quanto no poder brando internacional.
O líder iraniano apontou que os recentes episódios no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz desmistificaram a ideia de invencibilidade das Forças Armadas dos EUA. Khamenei acrescentou que expectativas de que concessões unilaterais pudessem fazer a Casa Branca cessar posturas hostis contra o país constituem um equívoco estratégico.
A repercussão política do resultado eleitoral nos EUA ocorre em meio a novos desdobramentos militares e diplomáticos na região. Na terça-feira (3), forças estadunidenses realizaram bombardeios na ilha de Qeshm, em ação classificada por autoridades de Washington como defensiva.
Em resposta, a Marinha do IRGC capturou dois drones intactos de reconhecimento MQM-170 dos EUA por meio de sistemas de guerra eletrônica sobre a ilha.
Apesar da escalada armada, canais diplomáticos indiretos permanecem ativos com a mediação do Catar, de Omã e do Paquistão, além do suporte diplomático da China em Pequim.
Teerã apresentou proposta para reabrir o tráfego no Estreito de Ormuz no prazo de dois dias e retomar negociações formais, condicionando a medida ao encerramento do bloqueio naval dos EUA, ao descongelamento de ativos iranianos no exterior e à suspensão das sanções sobre as exportações de petróleo do país.

