Coletivos e organizações de mulheres negras têm até a próxima terça-feira (10) para cadastrar atividades na Semana por Reparação e Bem Viver, mobilização nacional que marca um ano da 2ª Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver. As ações serão realizadas entre 20 e 28 de novembro de 2026 e vão compor a agenda do Novembro de Incidência.
A iniciativa busca articular atividades em diferentes regiões do país e dar continuidade à mobilização construída em torno da Marcha, realizada em Brasília, em 25 de novembro de 2025. O cadastro recebe propostas de rodas de conversa, debates, oficinas, atos políticos e culturais, panfletagens, ações de rua e atividades virtuais. As organizadoras também podem propor eventos presenciais ou híbridos.
A programação pretende colocar em evidência pautas como reparação histórica, justiça territorial, soberania alimentar e enfrentamento ao racismo, ao sexismo e à violência. A proposta segue a metodologia de mobilizações como o Março de Lutas e o Julho das Pretas, que articulam atividades organizadas por coletivos e movimentos em diferentes territórios.
Uma década de mobilização
A primeira Marcha das Mulheres Negras ocorreu em 18 de novembro de 2015, também em Brasília, com o lema “Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver”. Segundo a organização, mais de 100 mil mulheres participaram da mobilização, que reivindicou ações do Estado para reparar os impactos da escravidão e enfrentar as desigualdades que atingem a população negra.
Dez anos depois, em 25 de novembro de 2025, a capital federal recebeu a segunda edição da Marcha, que reuniu mais de 300 mil mulheres negras. Durante o ato, foi lançado o Manifesto das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, documento elaborado pelo Comitê Nacional e pelo Conselho Político da Marcha.
O manifesto apresenta 11 propostas de reparação histórica e relaciona os danos provocados pela colonização e pela escravidão à defesa de uma sociedade baseada no Bem Viver, conceito inspirado em cosmopercepções africanas e indígenas.
O documento também aborda a expropriação dos corpos, nomes, famílias, culturas e territórios da população negra como parte dos efeitos históricos da escravização. A agenda política do movimento inclui, ainda, a garantia de direitos e o enfrentamento às desigualdades raciais e de gênero.
Como participar
Coletivos e organizações de mulheres negras podem cadastrar atividades para integrar a Semana por Reparação e Bem Viver até 10 de novembro de 2026.
O formulário solicita informações sobre a organização responsável, nome e descrição da atividade, data, horário, formato e local de realização ou link de transmissão. As inscrições estão disponíveis neste formulário on-line.

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