estratégia falha

‘Rogério Marinho é negacionista, um retrocesso até mesmo para o PL’, afirma cientista político

Paulo Niccoli avalia indicação como um 'tiro no pé' do PL, que pavimenta caminho para reeleição de Davi Alcolumbre

O senador Rogério Marinho (PL-RN)
O senador Rogério Marinho (PL-RN) | Crédito: Ton Molina/Agência Senado

Mesmo faltando três meses para a definição da presidência do Senado, o Partido Liberal (PL) oficializou a candidatura de Rogério Marinho (PL-RN), impondo algum desacerto na articulação anterior que estava sendo alinhada entre a direita e a extrema direita a partir do nome de Tereza Cristina (PP-MS). O atual presidente, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), também já tem feito seus arranjos para a reeleição, inclusive acenando para a base governista.

O colunista do Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Paulo Niccoli Ramirez, cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), avalia que houve precipitação da legenda, até porque Cristina, embora ex-ministra de Jair Bolsonaro, é vista como uma figura que dialoga bastante com a centro-direita. “Se fosse a Tereza Cristina, teria alguma flexibilidade com partidos de centro, até mesmo algum aceno do PT, porque ela não tem essas características negacionistas do bolsonarismo. Eu diria que seria a ala mais racional”, aponta. A senadora, inclusive, negou convite para ser vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência.

Já Rogério Marinho, destaca Ramirez, foi uma voz forte negacionista na época da Covid-19 e, posteriormente, “foi um dos grandes negadores da tentativa de golpe em 8 de janeiro”. Na avaliação do cientista político, a escolha de Marinho “pode ser um tiro no próprio pé”. “Isso deve isolar o PL de outros eventuais apoios. Não podemos esquecer que ele fez questão de negar vacina, o uso de máscaras, defendeu o bolsonarismo com unhas e dentes. É uma tentativa de dar uma sobrevida ao bolsonarismo no Congresso”, afirma.

Paulo Niccoli Ramirez considera que há um grupo dentro do próprio PL que pode ser facilmente cooptado pelo Centrão, já que não vê com bons olhos essa alavancagem da extrema direita dentro do próprio partido. “O próprio Valdemar, presidente do partido, já tem largado o barco. Defendeu o resultado das eleições, até para não levar outra multa como aconteceu em 2022, quando disse que foi fraude. A escolha de Rogério Marinho é um retrocesso para o próprio PL, que tinha a oportunidade de sair desse limbo do bolsonarismo”, ressalta.

A base governista, contudo, vai precisar “escolher o menos pior”, pela impossibilidade de conseguir formar maioria no Senado. “Caberá ao PT ser um partido anexo de outros partidos que consigam formar maioria. O Alcolumbre tem mostrado que adotará posições polêmicas, como a defesa da anistia. Agora, que tipo de anistia? A redução de penas? O PT vai precisar negociar dessa forma, sem abrir mão, em hipótese alguma, de ser contra a anistia a Jair Bolsonaro”, defende.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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