Revitalização Rural

Vilarejo em Xinjiang, na China, implementa modelo ‘empresa, camponês e coletivo’ no combate à pobreza

Em Urumqi, Pingxiliang chegou a renda per capita de 40 mil yuans com turismo de inverno

O Monte Bogda em Urumqi, capital da Região Autônoma de Xinjiang. Possui o pico mais alto da parte leste da Cordilheira Tian Shan, 5445 metros de altitude.
Monte Bogda em Urumqi, capital da Região Autônoma de Xinjiang | Crédito: Mauro Ramos/Brasil de Fato

O vilarejo de Pingxiliang, em Urumqi, capital da Região Autônoma Uygur de Xinjiang, saiu de um dos piores índices de renda per capita da cidade para 40 mil yuans (pouco mais de R$ 30 mil) em duas décadas, usando um modelo que combina cooperativa acionária, turismo de inverno e produção orgânica.

Há 20 anos, Pingxiliang era um dos vilarejos mais pobres de Urumqi, em região de terras áridas sem sistema de irrigação adequado. Em 2003, foi inaugurada a Estação de Esqui Rota da Seda, aos pés das montanhas Nanshan, nome local da cordilheira Tianshan. No ano seguinte, o governo local implementou o modelo “empresa, camponês e coletivo”: as 306 famílias, que tinham moradias precárias, foram reassentadas em novos domicílios e começaram a fazer parte de uma cooperativa acionária. As famílias recebem dividendos da cooperativa e, em alguns casos, também alugam seus imóveis a empreendimentos turísticos.

A reportagem do Brasil de Fato esteve na região e conversou com Li Guiqin, secretária local do Partido Comunista da China.

Foi ela quem liderou esse processo nos últimos 20 anos. “Quando eu era jovem, bebíamos água de poços de barro e andávamos por estradas de terra. A renda por pessoa era de apenas algumas centenas de yuans, depois foi para alguns milhares, e hoje está em 40 mil yuans, em uma estimativa conservadora”, afirmou.

Li nasceu em Pingxiliang, saiu do vilarejo quando se casou e voltou para assumir o cargo público. “Meu objetivo ao voltar era levar os moradores à prosperidade coletiva. Riqueza pessoal não tem sentido sem a prosperidade do conjunto. Hoje, realizei esse sonho em grande medida”, disse. Com 60 anos, reeleita para mais um mandato de cinco anos, ela fixou como meta elevar a renda per capita para 50 mil yuans (cerca de R$ 38 mil) no período.

Cooperativa, turismo e dividendos

Em 2016, os Jogos Nacionais de Inverno da China, realizados em Urumqi, projetaram a estação no cenário nacional e ampliaram o fluxo de visitantes de todo o país. Hoje, 79% da força de trabalho do vilarejo está empregada no turismo. Em 2025, a receita coletiva chegou a cerca de R$ 950 mil. Em fevereiro deste ano, mais de R$ 230 mil foram distribuídos como dividendos em assembleia com os moradores.

Mais de 100 toneladas de resíduos foram retiradas do entorno do vilarejo. Três hectares e meio de áreas verdes foram implantados e árvores foram plantadas nas estradas. O turismo se expandiu além do inverno. Hoje, hospedagens rurais, cafés e casas de chá recebem visitantes durante todo o ano. “Temos tanto montanhas e rios verdes quanto paisagens de neve e gelo. As paisagens exuberantes são nosso ouro e prata, e os cenários de neve têm o mesmo valor. Os moradores encontram emprego bem perto de casa”, conta Li.

Produção orgânica

A chegada de irrigação por gotejamento e estufas com energia renovável viabilizou o cultivo em terras antes abandonadas. A empresa Xinjiang Kunxintai, dirigida por Dong Qinghua, emprega 26 moradores no cultivo de hortaliças orgânicas e mais quatro na criação de galinhas e produção de ovos, comercializados em Urumqi. “Toda a nossa produção resulta de uma cooperação entre a empresa e o vilarejo de Pingxiliang. Os moradores participam do cultivo como um todo. Produzimos orgânicos para que as pessoas possam comer de forma saudável”, afirmou Dong.

Editado por: Rafaella Coury

|

Newsletter