Neste sábado (7), Curitiba (PR) será o centro das mobilizações em defesa dos povos indígenas no Paraná. A Praça 19 de Dezembro deve reunir povos originários vindos de mais de dez territórios, além de movimentos, entidades e apoiadores da luta indígena. Há uma vaquinha, da organização do ato, para garantir o transporte das comunidades até a capital.
As principais pautas são a demarcação e homologação de Terras Indígenas (TIs), o fim do Marco Temporal e a proteção dos territórios, dos direitos e da vida dos povos originários contra violências e ameaças.
A vaquinha organizada para o ato tem o objetivo de arrecadar R$ 50.000 em 48 horas e fica aberta até as 18h desta quinta-feira. É possível apoiar por meio do PIX nas páginas oficiais de anúncio do ato. A prestação de contas também será divulgada no mesmo perfil nas redes sociais.
No Paraná, de acordo com dados oficiais da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há cerca de 23 TIs demarcadas ou em diferentes fases de regularização. O estado possui mais de 30 mil indígenas, que vivem em 345 municípios.

Escalada de violência política contra indígenas
Após o segundo turno das eleições em outubro de 2026, foram registradas diversas denúncias de violência política e ataques contra povos indígenas em várias regiões do Brasil, com investigações abertas por órgãos federais. A maior concentração dos casos graves foi no estado do Mato Grosso do Sul, contra comunidades Guarani Kaiowá.
Em Tacuru (MS), um servidor municipal foi afastado após o vazamento de áudios em um grupo de WhatsApp. Na mensagem, ele sugeria explicitamente colocar veneno na água que abastece a Aldeia Sassoró para matar os indígenas, motivado por intolerância devido ao voto da comunidade em Luiz Inácio Lula da Silva.
Também foi registrado o assassinato de uma família inteira em Naviraí (MS) e episódios de atropelamentos intencionais em Coronel Sapucaia (MS) que resultaram na morte de um homem indígena.
No Paraná, o prédio da Unidade Técnica Local (UTL) da Funai em São Jerônimo da Serra (PR) foi alvo de um ataque com explosivos, em 8 de outubro. No oeste do estado, lideranças e organizações denunciam ameaças contra os Ava Guarani. Há relatos de ameaças de violência sexual contra mulheres indígenas motivadas por intolerância política relacionada ao resultado das eleições.
O povo Avá Guarani e outras comunidades indígenas enfrentam o aumento da violência e conflitos territoriais no oeste do Paraná antes das eleições. Um relatório do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e da Terra de Direitos indica o aumento expressivo (superior a 200%) em episódios de violência, intimidação e ataques armados contra indígenas no estado, com a maioria dos casos concentrada no oeste.
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e entidades de direitos humanos contabilizaram mais de 30 denúncias de violência contra indígenas ligadas ao período pós-eleitoral. Uma força-tarefa integrada pelo Ministério dos Povos Indígenas, Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Ministério da Igualdade Racial, Polícia Federal (PF) e Funai foi acionada para apurar as denúncias, proteger lideranças e acompanhar as investigações.


