O PARANÁ É INDÍGENA

Ato contra violência política vai reunir povos indígenas do Paraná neste sábado (7), em Curitiba

Houve aumento de casos de violência contra povos indígenas; mobilização organiza vaquinha para transporte até a capital

No Paraná há cerca de 23 Terras Indígenas demarcadas ou em diferentes fases de regularização
No Paraná há cerca de 23 Terras Indígenas demarcadas ou em diferentes fases de regularização | Crédito: Gustavo de Sousa/BdF PR

Neste sábado (7), Curitiba (PR) será o centro das mobilizações em defesa dos povos indígenas no Paraná. A Praça 19 de Dezembro deve reunir povos originários vindos de mais de dez territórios, além de movimentos, entidades e apoiadores da luta indígena. Há uma vaquinha, da organização do ato, para garantir o transporte das comunidades até a capital.

As principais pautas são a demarcação e homologação de Terras Indígenas (TIs), o fim do Marco Temporal e a proteção dos territórios, dos direitos e da vida dos povos originários contra violências e ameaças.

A vaquinha organizada para o ato tem o objetivo de arrecadar R$ 50.000 em 48 horas e fica aberta até as 18h desta quinta-feira. É possível apoiar por meio do PIX nas páginas oficiais de anúncio do ato. A prestação de contas também será divulgada no mesmo perfil nas redes sociais.

No Paraná, de acordo com dados oficiais da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há cerca de 23 TIs demarcadas ou em diferentes fases de regularização. O estado possui mais de 30 mil indígenas, que vivem em 345 municípios.

Divulgação da vaquinha online para o transporte das comunidades até Curitiba | Crédito: Divulgação/Eloy Jacintho

Escalada de violência política contra indígenas

Após o segundo turno das eleições em outubro de 2026, foram registradas diversas denúncias de violência política e ataques contra povos indígenas em várias regiões do Brasil, com investigações abertas por órgãos federais. A maior concentração dos casos graves foi no estado do Mato Grosso do Sul, contra comunidades Guarani Kaiowá.

Em Tacuru (MS), um servidor municipal foi afastado após o vazamento de áudios em um grupo de WhatsApp. Na mensagem, ele sugeria explicitamente colocar veneno na água que abastece a Aldeia Sassoró para matar os indígenas, motivado por intolerância devido ao voto da comunidade em Luiz Inácio Lula da Silva.

Também foi registrado o assassinato de uma família inteira em Naviraí (MS) e episódios de atropelamentos intencionais em Coronel Sapucaia (MS) que resultaram na morte de um homem indígena.

No Paraná, o prédio da Unidade Técnica Local (UTL) da Funai em São Jerônimo da Serra (PR) foi alvo de um ataque com explosivos, em 8 de outubro. No oeste do estado, lideranças e organizações denunciam ameaças contra os Ava Guarani. Há relatos de ameaças de violência sexual contra mulheres indígenas motivadas por intolerância política relacionada ao resultado das eleições.

O povo Avá Guarani e outras comunidades indígenas enfrentam o aumento da violência e conflitos territoriais no oeste do Paraná antes das eleições. Um relatório do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e da Terra de Direitos indica o aumento expressivo (superior a 200%) em episódios de violência, intimidação e ataques armados contra indígenas no estado, com a maioria dos casos concentrada no oeste.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e entidades de direitos humanos contabilizaram mais de 30 denúncias de violência contra indígenas ligadas ao período pós-eleitoral. Uma força-tarefa integrada pelo Ministério dos Povos Indígenas, Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Ministério da Igualdade Racial, Polícia Federal (PF) e Funai foi acionada para apurar as denúncias, proteger lideranças e acompanhar as investigações.

Editado por: Franciele Petry Schramm

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