Saúde não espera

Farmácia de Alto Custo vira alvo de cobrança do Tribunal de Contas do DF por fila de três horas e meia

TCDF deu 60 dias para a Saúde do DF apresentar plano contra a demora e considerou insuficientes as medidas da pasta

faz uma legenda pra usar essa de capa Pessoas aguardam atendimento na Farmácia de Medicamentos de Alto Custo do Distrito Federal
faz uma legenda pra usar essa de capa Pessoas aguardam atendimento na Farmácia de Medicamentos de Alto Custo do Distrito Federal | Crédito: briel Jabur/GDF

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) terá 60 dias para apresentar um plano de ação para reduzir a demora no atendimento da Farmácia de Alto Custo da Asa Sul. A determinação consta da Decisão nº 3.448/2026, aprovada por unanimidade pelo plenário do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) em 14 de outubro. A informação sobre a data e a sessão também foi divulgada pelo Ministério Público de Contas do DF (MPC-DF), autor da representação que deu origem ao processo.

O caso envolve o Núcleo de Farmácia do Componente Especializado (NFCE), localizado na estação 102 Sul do metrô. No processo, a própria Secretaria informou ao Tribunal que o tempo médio de espera na unidade foi de três horas e meia nos três meses analisados. A informação foi apresentada em resposta a uma determinação anterior do TCDF, que havia solicitado dados sobre o atendimento.

A SES-DF atribuiu a demora a fatores como o volume de usuários, a complexidade dos procedimentos para dispensação de medicamentos, a instabilidade do sistema Hórus e a insuficiência de profissionais. Segundo a Secretaria, o Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (Ceaf) atende mais de 50 mil pacientes ativos.

Secretaria alega melhorias, mas não comprova medidas

Em resposta ao Tribunal, a SES-DF afirmou que já havia implantado um sistema de filas segmentadas, com separação por tipo de atendimento e prioridade legal, contemplando idosos, pessoas com deficiência, gestantes, lactantes e pessoas com crianças pequenas.

A pasta também informou que o sistema Sismedex estava sendo parametrizado para atender aos protocolos de dispensação e que a migração dos usuários do Hórus ocorreria gradualmente, durante novos cadastros e renovações. Outra medida citada foi a Farmácia Digital, lançada em 12 de maio de 2026, que permite solicitar medicamentos do Ceaf, fazer renovações e agendar atendimentos pela internet.

A equipe técnica do TCDF, porém, avaliou que as informações apresentadas não eram suficientes para comprovar a efetividade das medidas. Segundo a análise, faltavam documentos que demonstrassem o estágio de implementação do Sismedex, a execução das mudanças nos fluxos de atendimento e os resultados das iniciativas, além de prazos para sua conclusão.

O processo também registra questionamentos sobre o funcionamento das plataformas AgendaDF e Ceaf Digital. A análise técnica mencionou reclamações sobre dificuldades para conseguir atendimento pelos canais digitais e pedidos que apareciam sem conclusão em registros apresentados ao Tribunal. A equipe, contudo, ressalvou que não foi possível confirmar a data dos registros, o que impediu uma conclusão definitiva sobre o tempo de espera daqueles pedidos.

Déficit de profissionais

Outro ponto levantado durante a apuração foi a falta de profissionais na unidade. Dados do Sistema Único de Gestão de Recursos Humanos (SIGRH), referentes a janeiro de 2026, indicavam déficit de 39 farmacêuticos e 57 auxiliares operacionais de serviços diversos no NFCE da Asa Sul.

A representação do MPC-DF questionou as condições de funcionamento da unidade e os impactos da demora no acesso dos pacientes aos medicamentos. Após analisar as informações encaminhadas pela Secretaria, a área técnica do TCDF concluiu que parte das determinações anteriores havia sido atendida, mas que ainda faltavam comprovações sobre as medidas adotadas e o estágio de implementação do Sismedex.

Na decisão final, o plenário considerou satisfatoriamente cumprida a determinação de apresentação dos dados sobre o tempo de espera, mas entendeu que as exigências relacionadas ao Sismedex e às demais medidas para melhorar o atendimento não haviam sido atendidas.

Com isso, o Tribunal determinou que a SES-DF apresente, em até 60 dias, um plano detalhado para enfrentar a demora na unidade. O documento deverá contemplar a implementação do Sismedex, a organização das filas, a revisão dos fluxos de atendimento, a avaliação técnica no momento da dispensação e melhorias nos sistemas AgendaDF e Ceaf Digital, além de outras providências consideradas necessárias. A Secretaria também deverá indicar os prazos e os setores responsáveis por cada medida.

Procurada pelo Brasil de Fato DF, a Secretaria de Saúde afirmou que presta os esclarecimentos solicitados pelos órgãos de controle. A pasta acrescentou que os questionamentos fazem parte do processo de acompanhamento e aprimoramento da gestão pública. A resposta, porém, não esclareceu a situação atual do déficit de profissionais nem o estágio de implementação do Sismedex.

O TCDF também foi procurado pela reportagem, mas não respondeu até a publicação.


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Editado por: Clivia Mesquita

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