Os geoparques Quarta Colônia e Caçapava do Sul, no Rio Grande do Sul, tiveram o reconhecimento de Geoparque Mundial renovado por mais quatro anos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Anunciada na terça-feira (3), em Paris, a decisão concedeu aos dois territórios o cartão verde, que confirma o cumprimento dos critérios para permanecer na Rede Mundial de Geoparques.
A avaliação considera a conservação do patrimônio geológico e cultural, as ações de educação e desenvolvimento sustentável e a participação das comunidades. O título, conquistado pelos dois geoparques em 2023, passa por reavaliação a cada quatro anos.
A renovação foi precedida por uma missão internacional em julho, quando os avaliadores Daniela Rocha, de Portugal, e Jean-Luc Desbois, da França, visitaram os territórios. A programação incluiu locais de interesse geológico, instituições culturais e projetos comunitários, em uma região que reúne descobertas importantes para o estudo da origem dos dinossauros.
Na Quarta Colônia, a missão percorreu os nove municípios que integram o geoparque. Entre os locais visitados estavam o Geossítio Fossilífero Linha São Luiz, em Faxinal do Soturno, com fósseis do período Triássico, e a comunidade quilombola Vovó Isabel, em Nova Palma, onde os avaliadores conheceram iniciativas de preservação da memória afro-brasileira.
Em Caçapava do Sul, o roteiro incluiu as Minas do Camaquã, a Pedra do Segredo e a Feira Municipal do Artesanato, Produtos e Prestação de Serviços (Femapro). Na feira, foram apresentados produtos inspirados nas paisagens e na identidade do município.
A diretora executiva do Geoparque Quarta Colônia, Eduarda Brum, atribui o resultado à articulação dos municípios e do Consórcio de Desenvolvimento Sustentável da Quarta Colônia (Condesus). “Essa notícia vem para coroar todo o trabalho feito por muitas mãos e há muitos anos aqui na Quarta Colônia”, afirma.
Para Bibiana Schiavini, chefe da Subdivisão de Geoparques da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a renovação assegura a continuidade das atividades de ensino, pesquisa e extensão da instituição nos territórios.
Além do cartão verde, o processo de reavaliação prevê o cartão amarelo, que estabelece dois anos para corrigir problemas. Se as exigências continuarem sem atendimento após esse prazo, o geoparque pode receber cartão vermelho e perder o reconhecimento.


