MULHERES NA CULTURA

Maria da Soledade: aos 84 anos, pioneira do repente feminino tem sua história eternizada em livro na Paraíba

Obra será lançada neste sábado (7), em Alagoa Grande, e resgata histórias da cultura popular e luta sindical

Lançamento dialoga com a história nacional do repente
Lançamento dialoga com a história nacional do repente | Crédito: Foto: Adriano Franco

Lutadora do povo, Maria da Soledade carrega na voz a história de uma vida feita de versos, desafios e resistência. Repentista e Mestra das Artes da Paraíba, ela agora teve eternizada sua caminhada nas páginas do livro “Maria da Soledade – Versos, Voz e Memória”, escrito pela jornalista Janaína Araújo.

A obra será apresentada ao público neste sábado (7), às 19h, no Teatro Santa Ignez, brejo paraibano.

Soledade no sítio Genipapo onde começou a cantoria | Foto: Adriano Franco

Publicado pela Editora Tempo Livre, o livro reúne entrevistas, fotografias e documentos que retratam a caminhada de uma mulher que enfrentou barreiras em um universo historicamente marcado pela presença masculina. Além da cantoria, a publicação aborda sua participação no movimento sindical e na organização das trabalhadoras rurais.

Da viola à luta pelos direitos das mulheres

Maria da Soledade também teve participação na organização sindical e no movimento de mulheres trabalhadoras rurais. Sua trajetória reúne a atuação na cultura popular e o envolvimento em mobilizações sociais pela defesa dos direitos das trabalhadoras do campo.

Soledade na mesa do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande | Foto Adriano Franco

Para Bibiu do Jatobá, representante da Afrorró, a publicação representa um reconhecimento à cultura local: “Alagoa Grande precisa conhecer e valorizar a história de Soledade. Ela levou sua poesia aos palcos e sua coragem à luta das mulheres trabalhadoras rurais. Realizar esse lançamento é celebrar uma artista da nossa terra e ajudar a fazer com que sua memória chegue às novas gerações.”

Soledade e Lula na caravana da cidadania em 1998 | Foto Adriano Franco

A jornalista Janaína Araújo explica que a construção da obra nasceu da escuta das lembranças da artista: “Muitas vezes, as entrevistas aconteciam no ritmo da cantoria. Soledade contava e cantava suas lembranças. Fui construindo o livro a partir dessa escuta, em diálogo com documentos e fotografias. Foi uma honra registrar sua história e acompanhar a força criativa com que ela narra a própria vida.”

Uma memória que ultrapassa a Paraíba

O lançamento também dialoga com a história nacional do repente. Em novembro de 2021, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) reconheceu a manifestação como Patrimônio Cultural do Brasil. Segundo o órgão, a tradição tem registros desde o século 19 e representa uma importante expressão da identidade nordestina.

Serviço

Livro: Maria da Soledade – Versos, Voz e Memória
Data: 7 de novembro de 2026
Horário: 19h
Local: Teatro Santa Ignez, Alagoa Grande (PB).

Editado por: Cida Alves

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