O Palhaço Gambiarra dá continuidade à circulação estadual do espetáculo autoral “10 Anos Não São 10 Dias” com apresentações gratuitas em Arcoverde, na sexta (6), às 18 horas, no Centro Cultural Riso da Terra; em Buíque, nos dias 7 e 8 de novembro, às 17 horas, no Terreiro Dona Beiga e na comunidade do Pico, respectivamente; e em São José do Belmonte, no Sertão Central, com data e local ainda a serem definidos.
A iniciativa celebra os dez anos de trajetória do artista pernambucano na palhaçaria popular e promove encontros entre diferentes gerações de artistas, comunidades e expressões da cultura popular.
Natural de Camaragibe, na Região Metropolitana do Recife (RMR), Dú Yândi Ramos dos Santos, conhecido artisticamente como Palhaço Gambiarra, constrói a circulação a partir da relação entre circo, arte de rua e poesia. A programação é gratuita, tem classificação indicativa livre e conta com recurso de acessibilidade comunicacional em Língua Brasileira de Sinais (Libras).
Em cada município, o artista reúne profissionais locais e convidados para compartilhar experiências, valorizar saberes tradicionais e fortalecer vínculos entre os territórios. O projeto também promove rodas de diálogo, aproximando o público da trajetória dos artistas e das diferentes formas de transmissão da cultura circense.
“Mais do que uma rota de apresentações, a circulação é pensada a partir das relações feitas por diferentes territórios e da continuidade da trajetória artístico-cultural. O percurso conecta a Região Metropolitana do Recife ao Agreste e ao Sertão, transformando a estrada em espaço de encontro, troca de saberes e reconhecimento das diversas expressões que compõem a cultura pernambucana”, destaca Gambiarra.
A primeira parada da programação no interior será em Arcoverde, no Sertão do Moxotó. Na sexta-feira (6), às 18h, o Centro Cultural Riso da Terra, localizado no bairro São Miguel, recebe uma edição do Palco Aberto acompanhada de roda de diálogo. A atividade será conduzida pelo Palhaço Gambiarra, que divide o encontro com os artistas Amaik, Palhaço Salsicha e Palhaço Pinóquio.
Amaik é natural do Cabo de Santo Agostinho e reside em Arcoverde. Salsicha nasceu em Sumé, no Cariri paraibano, enquanto Pinóquio é de São Lourenço da Mata, em Pernambuco.
No Agreste, a programação chega à zona rural de Buíque, município vizinho a Arcoverde. No sábado (7), às 17h, o Terreiro Dona Beiga recebe o Palco Aberto. Já no domingo (8), também às 17h, a atividade acontece na comunidade do Pico, com apresentação e roda de diálogo. Os encontros são realizados em parceria com o Sítio Alcobaça.
Além dos artistas que integram a programação, os encontros em Buíque contam com a participação dos palhaços Sequinho, Salsicha e Pinóquio. A circulação também prevê a presença de outros artistas, palhaças, palhaços e profissionais da educação e da arte.
A escolha dos territórios está relacionada à trajetória de Gambiarra e às parcerias construídas ao longo dos anos. Em Buíque, o Sítio Alcobaça já recebeu ações de palhaçaria popular e atividades como o São João Rural e o Dia das Crianças. Em Arcoverde, o artista destaca a importância das primeiras apresentações de sua carreira solo e da relação com o Centro Cultural Riso da Terra.
“Buíque, por exemplo, é um território agrestino onde existe uma relação afetiva e artística desenvolvida historicamente. Entre as memórias estão as parcerias com o Sítio Alcobaça, espaço que recebeu diversas ações de palhaçaria popular e atividades como São João Rural e Dia das Crianças. O município representa a possibilidade de reencontrar públicos, vínculos e paisagens que compõem essa caminhada. No Sertão, Arcoverde é uma das primeiras cidades que recebeu apresentações de carreira solo. Reforço sobre a parceria com o Centro Cultural Riso da Terra, que fortalece o elo com artistas e iniciativas culturais territoriais. Já São José do Belmonte, cidade com uma dimensão de memória, cultura popular e identidade sertaneja, amplia a circulação para um território de tradições, narrativas e expressões artísticas”, conta.
A passagem por São José do Belmonte amplia o alcance da iniciativa para o Sertão Central. A cidade, reconhecida pela relação com a memória e as tradições sertanejas, integra o percurso que conecta diferentes regiões do estado.
A circulação estadual começou em setembro, em Camaragibe, cidade onde Gambiarra iniciou sua trajetória artística. A primeira edição aconteceu na Praça de Camaragibe, no bairro Vila da Inabi, com o artista como mestre de cerimônia e a participação de profissionais ligados à palhaçaria e ao circo.
Na ocasião, o público acompanhou números de malabarismo, esquetes de palhaçaria e performances de pirofagia. Participaram o Palhaço Xuvisco, o mestre Pinóquio, a artista Ynsany Dama Vermelha e os Irmãos Gandaia.
A trajetória de Gambiarra começou em 2015, inicialmente como malabarista nos semáforos da Região Metropolitana do Recife. No mesmo ano, passou a atuar como palhaço, realizando apresentações individuais e coletivas em praças públicas, feiras livres, escolas e comunidades urbanas e rurais.
O artista também integra o Coletivo Família Malanarquista, grupo recifense dedicado ao malabarismo, ao circo e à arte de rua. Ao longo de sua caminhada, desenvolveu produções próprias e percorreu diferentes cidades pernambucanas e outros estados, utilizando o chapéu como forma de contribuição direta do público para a valorização do trabalho artístico.
“A celebração de dez anos que olha para a memória seguindo adiante… do semáforo à praça, da praça ao palco, do palco à estrada, e da estrada a novos encontros e reencontros. Ao atravessar a Região Metropolitana, o Agreste e o Sertão, transforma-se uma história em cartografia afetiva. A estrada que antes foi percorrida em busca de espaços para apresentar-se, agora é transformada em caminho para reencontrar pessoas, compartilhar saberes, celebrar mestres, mestras e chegar às novas memórias”, declara.
Além das apresentações, “10 Anos Não São 10 Dias” inclui atividades formativas voltadas à troca de conhecimentos e à preservação da memória do circo pernambucano. Em setembro, os encontros aconteceram no Centro Comunitário Vivendo e Aprendendo (CCVA), em Camaragibe, com oficinas facilitadas por Luiza Fontes, Monick Pequeno e Renato Inácio.
A participação de artistas de diferentes gerações, incluindo referências como Índia Morena, natural de Jaboatão dos Guararapes, e os palhaços Pinóquio e Sequinho, contribui para a transmissão de experiências e para o fortalecimento das redes culturais.
“A proposta valoriza a memória do circo pernambucano com a participação de mestres, mestras e artistas que são de diferentes gerações. As rodas de diálogo surgem justamente da oralidade e da troca geracional como formas de transmissão e preservação dos saberes circenses. Em cada território, a apresentação se soma à formação e ao diálogo, criando possibilidades e aproximando públicos que nem sempre têm acesso contínuo à programação cultural”, afirma Gambiarra.
A realização é assinada pela GRAVE! Produtora e pelo Palhaço Gambiarra Produções Ilimitadas, produtoras pernambucanas. O projeto conta com incentivo da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, por meio do Sistema Nacional de Cultura (SNC), do Ministério da Cultura e do Governo Federal.

