CULTURA VIVA

Projeto resgata memória do teatro de rua de BH e leva formação artística para centros culturais  

Iniciativa também prevê uma revista digital que será lançada em 2027

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O teatro de rua é uma das expressões culturais importantes em BH | Crédito: Guto Muniz

A história do teatro de rua de BH será resgatada pelo projeto A rua como palco: memória do teatro de rua de BH. A iniciativa conta com cinco oficinas presenciais e gratuitas de iniciação ao teatro de rua e o lançamento de uma revista digital, que reunirá relatos de artistas, registros históricos, fotografias e documentos que ajudam a compreender a importância dessa linguagem para a cena cultural da capital mineira, produzida nas décadas de 1980 e 1990. 

Durante os meses de novembro e dezembro de 2026 estão previstas oficinas em cinco centros culturais de Belo Horizonte. Os encontros buscam fortalecer a atual produção do teatro de rua a partir da formação artística, articulação e difusão cultural. Serão oferecidas até 16 vagas por oficina para formação em jogos teatrais, práticas corporais e vocais, improvisação, escuta, criação coletiva de cenas e exercícios de presença e deslocamento no espaço urbano. 

As aulas ocorrerão em espaços internos dos centros culturais e áreas externas, como ruas, praças e pátios, estimulando os participantes a experimentar a cidade como espaço de criação e expressão artística.

O primeiro ciclo de formação já está em curso no Centro Cultural Urucuia, entre os dias 3 a 7 de novembro. Já o centro cultural Zilah Spósito recebe a programação nos dias 3, 5, 10, 12 e 14 do mesmo mês. Entre os dias 24 a 28 de novembro é a vez do Centro Cultural do Bairro das Indústrias sediar os encontros. No Centro Cultural Jardim Guanabara a programação acontece nos dias nos dias 1º, 3, 4, 5 e 10 de dezembro e o Centro Cultural Venda Nova encerra a programação de oficinas de 8 a 12 de dezembro. 

A formação será ministrada por Gil Ramos, ator, diretor e arte-educador com ampla trajetória nas artes cênicas. O último encontro de cada oficina contará com prática aberta ao público e as inscrições podem ser feitas no link disponível no instagram do projeto – @aruacomopalco. 

Resgate da memória

O projeto também prevê a edição de uma revista. Sob curadoria e organização editorial do historiador Bruno Viveiros, a publicação digital reunirá entrevistas, imagens históricas, textos de contextualização e reflexões sobre os processos criativos e as relações dos artistas com a cidade. A pesquisa contempla quatro grupos de destaque no recorte histórico proposto: Grupo Galpão, Grupo Revil a Volta, Grupo Teatro Kabana e Companhia Del Pala.

O material será construído a partir de levantamento bibliográfico, consulta a pesquisas acadêmicas, jornais, fotografias e documentos de acervos públicos e privados. Entre as entrevistas previstas estão depoimentos de Chico Pelúcio, Nélida Prado, Wesley Simões e Carluty Ferreira, além de Gil Ramos, cujas experiências também integram a investigação.

De acordo com Sinara Teles, que assina a gerência executiva do projeto, “a memória oral terá papel central no trabalho, valorizando lembranças, percepções e interpretações dos artistas sobre o período”. A pesquisa também buscará estabelecer relações entre as experiências relatadas e os territórios nos quais elas aconteceram, identificando ruas, praças, bairros e equipamentos culturais associados à trajetória do teatro de rua em Belo Horizonte. 

“A proposta é apresentar um recorte, um dos prismas possíveis para compreender um movimento artístico amplo, diverso e constituído por muitas trajetórias”, explica Rogério Gomes, coordenador geral do projeto.

A revista será disponibilizada gratuitamente em PDF e contará também com uma versão em áudio com audiodescrição, ampliando as possibilidades de acesso para pessoas com deficiência visual. A divulgação será feita pelas redes sociais do projeto, além do compartilhamento com centros culturais, escolas públicas, universidades, bibliotecas, pesquisadores, artistas e instituições culturais. A expectativa inicial é alcançar pelo menos 400 leitores.

O lançamento está previsto para o segundo semestre de 2027, no Centro Cultural Venda Nova, com a participação de Bruno Viveiros, Gil Ramos, Sinara Teles e Rogério Gomes, e funcionará como um espaço de escuta, celebração e diálogo com o público sobre as memórias reunidas pela pesquisa.

Editado por: Elis Almeida

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