Representantes do movimento sindical e trabalhadores reuniram-se na terça-feira (3), na Esquina Democrática, no Centro Histórico de Porto Alegre, para realizar o ato “Juros Baixos Já! Fim da Autonomia do Banco Central!”. A mobilização convocada pela Central Única dos Trabalhadores no Rio Grande do Sul (Cut-RS) questionou os impactos da atual política monetária sobre o crédito, o consumo popular, os investimentos públicos e a geração de empregos.
Os manifestantes defenderam a revogação da autonomia formal do Banco Central, estabelecida pela Lei Complementar nº 179/2021. Segundo eles, a definição da taxa básica de juros (Selic) deve estar subordinada ao projeto de desenvolvimento econômico e às decisões das urnas, e não aos interesses das instituições financeiras privadas.
Tentam impor o programa derrotado nas urnas, denuncia liderança sindical
Durante a manifestação, lideranças do movimento sindical discursaram em cima do carro de som e denunciaram o que consideram uma tentativa da mídia e do mercado financeiro de travar o orçamento público e forçar o governo a aplicar um programa de austeridade fiscal via juros elevados.
“Eles querem corte nas políticas públicas e no gasto público. O nosso problema real é o juro alto. É um juro que causa o endividamento das famílias e que rende à política econômica ao sistema financeiro”, afirmou Ísis Garcia, diretora do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários).
A deputada estadual Sofia Cavedon (PT) também criticou a política monetária e defendeu mudanças na condução econômica do país. “Governo Lula, presidente Lula candidato, foi muito cobrado pelo endividamento das famílias. E nós sabemos que o endividamento das famílias vem da política desastrosa de Temer e Bolsonaro e da autonomia do Banco Central, com juros altos, em cima de uma política anacrônica de que juros altos é que seguram a inflação”, afirmou.
“Nós temos caminho. Nós temos outro caminho: é o caminho do investimento, do desenvolvimento, é o caminho da previsão, do estabelecimento de metas para uma inflação adequada e juros no mesmo nível adequado a isso”, completou a deputada.
Cavedon ainda afirmou que as forças políticas contrárias ao governo não devem avançar por meio de uma política econômica recessiva. “Por isso, eles não vão ganhar a eleição no tapetão, em política econômica recessiva, na política econômica do tesouraço, da motosserra que Lula denunciou que Flávio Bolsonaro queria imitar o Milei. Por isso, eles perderam a eleição nesse Brasil. Por isso, essa luta nas ruas tem que tomar a juventude”, declarou.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul (Cut-RS), Amarildo Cenci, apresentou o ato como um espaço para discutir as questões da taxa de juros. “E a gente está aqui para dizer basta a essa exorbitante, criminosa taxa de juros no Brasil”, declarou.
“E nós, povo brasileiro, trabalhadores e trabalhadoras, centrais sindicais, movimentos sociais, nós queremos que essa taxa de juro injustificada baixe, venha pela metade pelo menos, para que esse dinheiro que rentabiliza os banqueiros, ele seja para desenvolver o nosso país e ter alcançar mais direitos para nossa população”, complementou Cenci.
Impacto direto no bolso e no desenvolvimento
De acordo com as entidades organizadoras, o Brasil voltou a ocupar posições de topo nos rankings mundiais de juros reais, com reflexos graves na vida da população. Elas apontam que a alta dos juros encarece o parcelamento do consumo básico e o crédito pessoal e dificulta a renegociação de dívidas das famílias trabalhadoras.
As entidades também avaliam que os juros elevados dificultam o acesso de pequenos empreendedores a financiamentos para expandir a produção, travando a criação de novas vagas de trabalho. Criticam ainda o custo elevado da taxa Selic, que, segundo elas, drena bilhões de reais do orçamento da União para o pagamento de juros da dívida interna, comprometendo verbas da saúde, educação e infraestrutura.
O movimento sindical prometeu manter a mobilização nas ruas e pressionar o Congresso Nacional e as autoridades monetárias por uma guinada na condução da política econômica do país.

