CINEMA CEARENSE

36º Cine Ceará inicia neste sábado (7) no Cineteatro São Luiz, com exibição de filmes e homenagens

O acesso é gratuito e conta com mais 45 filmes em mostras competitivas e não-competitivas, debates e outras ações

Filme "Viver é melhor que sonhar"
Com direção de Eduardo Albergaria, “Viver é melhor que sonhar” é uma das exibições especiais do 36º Cine Ceará | Crédito: Divulgação

A abertura do 36º Cine Ceará – Festival Ibero-Americano de Cinema acontece neste sábado (7), às 19h, no Cineteatro São Luiz, onde Emilie Lesclaux e Kleber Mendonça Filho serão homenageados pela contribuição ao audiovisual brasileiro, com destaque para o cinema. Reconhecido como um dos mais longevos festivais de cinema do Brasil, nesta edição, o evento festeja “Fortaleza, 300 anos de luz e cinema”. O público poderá conferir mais de 45 filmes, entre longas-metragens e curtas em mostras competitivas e não-competitivas, com exibições no Cineteatro São Luiz e no Cinema do Dragão. Além da exibição de filmes, a programação conta ainda com debates, homenagens, ações formativas e outras atividades, todas com acesso gratuito.

Até o dia 13 de novembro, o público poderá conferir mais de 45 filmes, entre longas-metragens e curtas, distribuídos em mostras competitivas e não competitivas. Para as sessões no Cineteatro São Luiz, os ingressos estarão disponíveis, exclusivamente, através da plataforma Sympla, sempre no dia anterior à exibição, a partir das 14h. Já para as sessões no Cinema do Dragão, os ingressos poderão ser retirados diretamente na bilheteria, 1 hora antes do início de cada sessão, sendo respeitado o limite de até 2 ingressos por sessão.

Para marcar a abertura, será exibido o curta-metragem “Sul de Teerã”, dirigido por Kleber Mendonça Filho. A produção acompanha o cineasta iraniano Jafar Panahi, diretor de “Foi Apenas Um Acidente”, enquanto reflete sobre sua trajetória cinematográfica e a perseguição sofrida em seu país de origem. Na sequência, a Mostra Competitiva Ibero-Americana de Longa-metragem será aberta com a exibição de “Terra Firme” (Alexandre Vale, ficção, 92 min, Brasil, 2026), que aborda o vínculo entre o menino Juca e o pescador Zé Cangulo, moradores de uma vila litorânea esquecida pelo tempo, até que surge uma possibilidade de recomeço.

Mostras competitivas reúnem produções brasileiras e ibero-americanas

A Mostra Competitiva Ibero-Americana de Longa-metragem reúne seis filmes nesta edição, sendo cinco ficções e um documentário. As produções abordam temas como memória, relações humanas, identidade e transformações sociais, a partir de histórias particulares, e conta com obras do Brasil, Peru, Espanha, República Dominicana, Equador, Chile e Alemanha. Além de “Terra Firme”, integram a mostra os filmes “Sob o Mesmo Sol” (Ulises Porra, República Dominicana-Espanha, 2025), “Nunkui” (Verenice Benítez, Equador-Chile-Alemanha, 2026), “Trapiá, um Outro Sertão” (Bertrand Lira, Brasil, 2026), “Eu Não Morrerei de Amor” (Marta Matute, Espanha-Bélgica, 2026) e “Não Há Ida sem Retorno” (Carlos Sánchez Giraldo, Peru, 2026).

Já a Mostra Competitiva Brasileira de Curta-metragem reúne 13 produções de diferentes estados, entre ficções, documentários e animações. Os filmes representam os estados do Ceará, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, da Bahia e Paraíba. O Ceará participa da disputa com quatro produções: “Joqueta”, de Luciana Vieira; “Redamar”, de Johnnathan Albano; “Lena”, de Lanna Carvalho; e “Cassiopeia”, de Bruna DeRose.

Produção cearense ganha destaque na Mostra Olhar do Ceará

Um dos destaques da programação é a Mostra Olhar do Ceará, dedicada à produção audiovisual do estado. Nesta edição, a seleção reúne quatro longas-metragens e 15 curtas que expressam a diversidade de formatos, temáticas e linguagens da cena local. As obras concorrem ao Troféu Mucuripe e abordam questões relacionadas à infância, à terceira idade, às lutas das mulheres, às vivências trans, às manifestações religiosas e aos movimentos trabalhistas.

Entre os longas selecionados estão “Douvina”, de Márcio Câmara; “O Cio da Terra”, de Rivelino Mourão; “Adulto/Homem”, de Pedro Diogenes; e “Pessoal do Ceará – Lado A Lado B”, de Nirton Venancio. A programação de curtas inclui produções como “Vejo Você de Repente”, de Aída da Costa; “Umbuzeiro”, de Emílio Ribeiro; “Era Vânia”, de Ticiana Augusto Lima; “Do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto”, de Adeciany Castro, Weyna Macedo, Mariana Smith e Lucas Parente; “Janaína e a Concha”, de Malu Meneses; e “Sinal”, de Barbara Matias Kariri.

Parte dos filmes selecionados para a Mostra Olhar do Ceará também estará disponível na plataforma Itaú Cultural Play, entre os dias 7 e 21 de novembro.

Festival terá sessões especiais e homenagens

A programação conta ainda com quatro exibições especiais, entre elas a première mundial de “Viver é Melhor que Sonhar” (Eduardo Albergaria, ficção, 105 min, Brasil, 2026), que chega aos cinemas em 3 de dezembro. O longa retrata uma fase pouco conhecida da vida do músico cearense Belchior (1946–2017), quando ele decide renunciar à fama e ao patrimônio e desaparece ao lado de Edna, seu grande amor.

Outra produção dedicada ao artista é “Alucinação” (Renato Terra, Marcos Caetano e Leo Caetano, documentário, 74 min, Brasil, 2025), inspirada no álbum homônimo lançado por Belchior em 1976. O filme apresenta uma proposta que combina a reprodução integral do disco com imagens que ampliam os significados das canções. Também integram as exibições especiais o documentário “O Projeto” (Sabrina Fidalgo e Yvan Rodic), um road movie que investiga os desdobramentos de mais de seis séculos de colonialismo europeu e a permanência dessas estruturas no Sul e no Norte globais, e o curta “Sul de Teerã”, de Kleber Mendonça Filho.

O festival mantém ainda as tradicionais Mostras Sociais, realizadas no Cinema do Dragão e destinadas a públicos específicos. A Mostra “O Primeiro Filme a Gente Nunca Esquece” recebe grupos de estudantes de escolas públicas para a exibição de “Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa” (Fernando Fraiha, 2025). Já a Mostra Melhor Idade será voltada prioritariamente a grupos de instituições de idosos, com a sessão de “O Auto da Compadecida 2” (Guel Arraes e Flávia Lacerda, 2024). A programação inclui também uma mostra de acessibilidade, com a exibição de “A Natureza das Coisas Invisíveis” (Rafaela Camelo, 2025), que contará com recursos voltados a pessoas com necessidades especiais.

Além das sessões, o 36º Cine Ceará promove, de 10 a 12 de novembro, o Encontro Farol de Cinema, das 14h às 18h, no Hotel Sonata, em Fortaleza. A atividade propõe um espaço de debate e elaboração de diretrizes para a produção, a difusão e a gestão do mercado audiovisual brasileiro. Organizado pelo produtor e ativista Roger Pires e pelo diretor do festival, Wolney Oliveira, o encontro pretende reunir representantes da cadeia produtiva para discutir os desafios e as transformações do setor. A programação será encerrada com a publicação de uma Carta-Manifesto, que apresentará propostas ao poder público e à iniciativa privada.

Ao longo do festival, cinco personalidades e uma instituição também serão homenageadas. Além de Emilie Lesclaux e Kleber Mendonça Filho, na abertura, recebem reconhecimento o jornalista, crítico de cinema e escritor Luiz Carlos Merten, no dia 9; a atriz Isis Valverde, no dia 10; e a Vila das Artes, no dia 11, pelos 20 anos de atuação como equipamento cultural da Prefeitura de Fortaleza. A senadora Luizianne Lins será homenageada na cerimônia de encerramento, no dia 13.

Premiação

Os filmes das mostras Competitiva Ibero-Americana de Longa-metragem e Brasileira de Curta-metragem concorrem ao Troféu Mucuripe. Na categoria de longa-metragem, serão premiados os vencedores em 11 categorias, entre elas Melhor Filme, Direção, Atuação Principal, Atuação Coadjuvante, Roteiro, Fotografia, Montagem e Prêmio da Crítica. O filme escolhido como Melhor Longa-metragem pelo Júri Oficial receberá R$ 40 mil, destinados à distribuição da obra no Brasil.

Na competição brasileira de curtas, o Troféu Mucuripe será entregue nas categorias Melhor Curta-metragem, Direção, Roteiro e Prêmio da Crítica. As produções também disputam o Prêmio Canal Brasil de Curtas, concedido à melhor obra da seleção por um júri formado por críticos e jornalistas especializados em cinema.

A 36ª edição do Cine Ceará é uma realização do Ministério da Cultura, por meio da Secretaria do Audiovisual e da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB); da Associação Cultural Cine Ceará; e da Bucanero Filmes. Tem o apoio institucional do Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura, via Mecenas do Ceará e Edital de Festivais Culturais Calendarizados (PNAB); e da Universidade Federal do Ceará, via Casa Amarela Eusélio Oliveira. Conta ainda com patrocínio do Banco do Nordeste, Complexo Portuário do Pecém, Itaú, Cegás e Etice, através da Lei Rouanet, e da Prefeitura de Fortaleza, através da Secultfor. Tem patrocínio direto da Cagece e o apoio cultural da Enel através do Mecenato Estadual. Parceria: Canal Brasil.

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Editado por: Geovanni Carvalho

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