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EUA ampliam o bloqueio e atacam setores energético, marítimo e tecnológico de Cuba

Pacote busca aprofundar apagões na ilha e ameaça punir empresas internacionais que comerciarem com o país

Um homem passa de bicicleta por uma casa com painéis solares em Havana, em 4 de novembro de 2026.
Um homem passa de bicicleta por uma casa com painéis solares em Havana, em 4 de novembro de 2026. | Crédito: (Foto: Adalberto Roque / AFP)

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (5) uma nova rodada de medidas coercitivas unilaterais (as chamadas “sanções”) contra Cuba. As disposições afetam o fornecimento de energia, o setor marítimo e o setor tecnológico da economia cubana e fazem parte da escalada de agressões econômicas que Washington mantém contra a ilha desde o início do ano.

As sanções foram anunciadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, na sigla em inglês), do Departamento do Tesouro, com o aval do Departamento de Estado. Ao todo, atingem oito entidades e cinco embarcações vinculadas ao transporte de petróleo, além de dois funcionários cubanos.

Entre as entidades incluídas na lista estão empresas estatais cubanas que atuam na prestação de serviços técnicos e tecnológicos, na importação e exportação de produtos eletrônicos e de comunicação, no transporte marítimo de mercadorias e em outras atividades relacionadas aos setores petrolífero e marítimo. Também foram incluídas embarcações de bandeira cubana.

Em comunicado divulgado nas redes sociais, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que as medidas são direcionadas contra supostas “redes comunistas subversivas em nosso hemisfério”.

“O regime marxista cubano depende de uma rede de empresas estatais, empresas mistas e intermediários offshore para manter seus sistemas em funcionamento, enquanto seus patrocinadores estrangeiros fornecem equipamentos militares que ajudam a sustentar as forças militares do regime e permitem ameaças persistentes à pátria americana”, afirmou Rubio.

Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmou que os Estados Unidos continuarão fracassando em sua tentativa de submeter a ilha e que as novas medidas continuarão “esbarrando” na defesa da independência e da soberania do país.

“O governo dos EUA, em vez de ouvir seus cidadãos, anuncia novas medidas de bloqueio contra Cuba em seu empenho persistente de asfixiar a economia e causar o maior dano possível ao nosso povo”, afirmou o chanceler cubano.

As novas disposições buscam aprofundar o bloqueio contra Cuba e se somam à escalada de pressão de Washington contra a ilha caribenha. O anúncio ocorreu poucos dias depois de a Assembleia Geral das Nações Unidas ter votado, em 27 de outubro, pela 34ª vez consecutiva, contra o bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos.

Asfixia energética e ataques ao setor tecnológico

O pacote volta a mirar a infraestrutura que permite a Cuba assegurar o abastecimento de combustíveis, dificultando tanto a importação quanto o transporte de petróleo, com o objetivo de aprofundar a asfixia energética enfrentada pelo país desde o fim de janeiro. Ao mesmo tempo, o Departamento do Tesouro concedeu novos poderes para ampliar as chamadas “sanções secundárias”, que ameaçam atingir qualquer pessoa ou empresa não estadunidense que atue nos setores de eletrônica, manufatura, transporte marítimo ou tecnologia da economia cubana. Dessa forma, qualquer banco ou fornecedor internacional não estadunidense que mantenha relações comerciais com essas empresas cubanas correrá o risco de perder o acesso ao sistema bancário em dólares.

Entre as empresas sancionadas estão a Caroil Transport Marine, registrada no Chipre, e a Tentacool Commercial, sediada no Panamá. Também foram incluídas as empresas cubanas Internacional Marítima e Petróleos Marítimos del Caribe (Petromarca), estatais que Washington aponta por sua participação no transporte de petróleo e derivados de e para a ilha. A OFAC também incluiu cinco navios-tanque cubanos na lista de sanções.

Ao bloquear diretamente as companhias de navegação e os navios que transportam petróleo, Washington dificulta ainda mais a chegada de combustível a Cuba, agravando o déficit de geração de energia elétrica e os apagões que afetam o país.

As sanções impõem severas restrições às operações financeiras internacionais dessas entidades. Além disso, os Estados Unidos ameaçam estender as medidas a empresas e entidades de terceiros países que mantenham vínculos comerciais com elas.

A ofensiva também atinge setores estratégicos para o desenvolvimento e a soberania de Cuba, como o tecnológico. Entre as empresas incluídas estão a Cubaelectrónica, estatal dedicada à importação e ao fornecimento de equipamentos, insumos e componentes eletrônicos, e a Tecnosime, empresa estatal de comercialização de serviços técnicos e tecnológicos para os setores metalmecânico e industrial da ilha.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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