Governo de esquerda

Lula rechaça pressão por ajuste fiscal e diz que não vai levar ‘o povo pobre a nenhum sacrifício’

Presidente reiterou que governo não vai abandonar políticas sociais e seguirá atuando com responsabilidade fiscal

Lula
O presidente Lula fala em reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) | Crédito: Ricardo Stuckert/PR

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rechaçou nesta sexta-feira (6) a pressão do mercado por ajuste fiscal e apontamentos de que o governo não tem responsabilidade com as contas públicas. As declarações foram dadas durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética, no Ministério de Minas e Energia.

“Alguém pode falar que esse governo não tem responsabilidade fiscal? Ninguém nesse país pode falar mais de responsabilidade fiscal do que a minha equipe econômica”, afirmou Lula, lembrando que assumiu o governo com déficit orçamentário de 2,8% e que agora encaminha superávits.

O presidente reiterou que vai seguir equilibrando políticas sociais e responsabilidade fiscal. E que não vai submeter a população mais pobre a cortes de programas sociais para atender o mercado.

“A única coisa que ele [mercado] tem que saber é que o pobre não pagará a conta. A única coisa que ele [mercado] tem que saber é que nós não levaremos o povo pobre a nenhum sacrifício”, afirmou.

Lula também defendeu que o endividamento público pode ser útil para financiar obras e ampliar o patrimônio nacional, desde que haja capacidade de pagamento. E disse que pretende colocar o Brasil no estágio de paíse desenvolvido nos próximos quatro anos.

“Ninguém pode gastar mais do que tem. Agora, se a gente quiser construir um ativo novo, você pode fazer dívida, mas para construir um patrimônio para esse país. Uma ferrovia, uma estrada, uma ponte, um aeroporto. Você pode fazer uma dívida desde que você possa pagar”, argumentou.

Ele ressaltou que o endividamento brasileiro em relação ao PIB é inferior ao de países como Estados Unidos, França, Japão e Itália. E lembrou ainda que foi durante seu governo que o Brasil quitou uma dívida externa de US$ 30 bilhões, acumulou US$ 270 bilhões em reservas e emprestou US$ 1 bilhão ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

O presidente reconheceu dificuldades em divulgar os feitos econômicos do governo e cobrou que a equipe ajude a divulgar resultados da situação econômica do país. “Nós temos que criar a nossa narrativa. E nós temos que aprender a divulgar as coisas que nós fazemos”, declarou.

Editado por: Rodrigo Gomes

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