A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após virada histórica sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno veio embalada por uma série de vitórias no Congresso, consolidando algumas articulações importantes para a governabilidade do próximo mandato.
Além da aprovação do fim da escala 6×1 e do Prospera MEI, nesta semana, a PEC da Segurança Pública, sem a redução da maioridade penal, também foi aprovada com unanimidade.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a senadora Teresa Leitão (PT-PE) avalia que eram pautas “importantíssimas e que estavam travadas” por conta de alguma dificuldade de aproximação entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
“Assim que eu assumi a liderança, no final de junho deste ano, Lula me deu essa tarefa. Claro que houve toda uma composição, com meus pares, com a conjuntura. A corda já estava esticada demais e isso ajudou bastante que a gente destravasse essas pautas em conversas que antecederam a própria agenda”, conta. “Eu acho que a autoridade política do presidente Lula, o resultado eleitoral, deu força a essas pautas”, aponta.
A senadora também atribui o sucesso na aprovação das pautas ao fato de serem demandas urgentes e populares. “Acho que a sociedade também tem reconhecido isso como um avanço do nosso governo. É um quarto governo que celebra o legado, mas também o que vai ser feito futuramente”, afirma.
Teresa Leitão considera uma sinalização de pacificação a aprovação das pautas, após a relação entre o governo Lula e Alcolumbre azedar quando houve a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). “É prerrogativa do presidente da República mandar o nome. O nome preenchia todos os critérios: a idade mínima, a conduta ilibada, conhecimento técnico e jurídico, mas houve uma articulação para o nome ser rejeitado no plenário da Casa. E o presidente [Lula] se sentiu desrespeitado. Não se politiza uma indicação para o Supremo”, frisa.
Segundo a parlamentar, não foi apenas uma ação de Alcolumbre, mas um movimento maior com envolvimento do Supremo. “O Supremo hoje é um ator político. Isso contaminou o voto dos senadores”, ressalta.
Alcolumbre: candidato do PT
A articulação para presidir o Senado já está acontecendo e a senadora Teresa Leitão explica que essas decisões passam muito mais pela bancada do partido do que do governo, ainda que, para Lula, a reeleição de Alcolumbre seja positiva. “Claro que o governo tem interesse em ter um presidente do Senado que cumpra o ritual, a liturgia do cargo”, avalia.
Diante dos nomes até o momento especulados — Teresa Cristina (PP-MS), Rogério Marinho (PL-RN) e Alcolumbre —, Leitão destaca que o atual presidente é “o que mais se aproxima da nossa política”.
“A candidatura de Rogério Marinho é absolutamente indigesta para nós, do ponto de vista da postura e de como ele lê a tarefa do Congresso Nacional. Ele já tem dado muitas demonstrações de qual vai ser a pauta dele”, resume.
“Alcolumbre já se colocou para nós como candidato e quem vai discutir a nossa posição é a bancada do PT, não a bancada do governo, porque os partidos são independentes para resolver uma situação desta. Não vejo o PT lançando uma candidatura própria”, ressalta.
Com relação à oposição bolsonarista, Leitão faz duras críticas ao que chama de “terceiro turno” após a derrota e fuga de Flávio Bolsonaro, e avalia que o PL tem se isolado. “Eles estão acéfalos, escolhendo quem é que vai liderar esse conjunto, que majoritariamente é do PL. Apesar de outros partidos terem apoiado Bolsonaro, a gente não vê essa conduta tão explícita do ponto de vista da beligerância, do ponto de vista das agressões”, avalia.
A pressão pelo ajuste fiscal
A senadora Teresa Leitão admite que o ajuste fiscal será um tema inescapável para o Lula 4, mas procura separar o que é realidade e o que é alarmismo. Além disso, conta que, até o momento, não está em avaliação qualquer mudança referente ao arcabouço fiscal.
“Nós vamos cumprir a meta determinada no arcabouço fiscal. Estamos fazendo os ajustes necessários com a responsabilidade que as urnas nos deram”, enfatiza.
Leitão alerta que o mercado financeiro age sob interesses políticos e que há uma diferença de visão de mundo muito grande. “São financeiristas, querem que o mercado financeiro contribua para o acúmulo da riqueza. E nós queremos que o dinheiro circule para o consumo”, compara.
Sobre o pronunciamento de Lula, previsto para o próximo domingo (8), Leitão avalia que a tônica será justamente essa: a defesa do consumo da população, que dá qualidade de vida.
“Estamos preocupados com os juros, sim. Os juros são uma preocupação permanente da equipe econômica do governo. Ele vai fazer esse pronunciamento dizendo o que pensa, o que governo quer, porque foram dados passos muito largos em relação à política fiscal e à política econômica do país”, conclui.
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