A transferência do ex-presidente do Paraguai Santiago Peña de sua residência particular para o Regimiento Escolta Presidencial (REP), ocorrida na madrugada deste sábado (7), foi antecipada por um intenso cerco popular com enfrentamento policial e feridos no bairro Mburucuyá, na capital Assunção.
Peña havia tido a prisão domiciliar decretada após sofrer impeachment no Senado por envolvimento no esquema de corrupção do Ueno Bank.
A manifestação começou como uma vigília de moradores do bairro e de movimentos populares, que exigiam que o ex-mandatário fosse levado a um presídio comum em regime fechado. Com faixas e cartazes contra a impunidade, centenas de pessoas cercaram o perímetro da residência.
Perto da meia-noite, a manifestantes tentaram derrubar as grades de proteção. A Polícia Nacional fez disparos e bombas de gás lacrimogêneo.
Após o incidente, a polícia alegou que grupos “infiltrados” previamente identificados pela Diretoria de Inteligência teriam promovido a violência. No entanto, veículos locais de imprensa ressaltaram que a corporação não apresentou provas sobre a identificação dos supostos infiltrados nem detalhou critérios de diferenciação em relação aos moradores do bairro.
Sob forte esquema de segurança, um comboio composto por quatro caminhonetes retirou Peña da casa em velocidade. Durante a saída, os manifestantes arremessaram ovos e pedras contra os veículos oficiais. O ex-presidente foi abrigado na sede militar do REP, uma unidade de elite da capital paraguaia destinada à guarda presidencial, onde aguarda novo depoimento à Promotoria Especializada em Crimes Econômicos e Anticorrupção.
Mobilização nacional
A crise política provocada pelo colapso do Ueno Bank, que congelou mais de US$ 850 milhões de três milhões de poupadores e afeta fundos previdenciários públicos, continua a mobilizar diversos setores da sociedade paraguaia.
A Federação de Educadores do Paraguai (FEP), que reúne mais de 40 mil professores associados, convocou uma paralisação nacional por tempo indeterminado e uma grande marcha a partir de segunda-feira (9). A entidade exige garantias estatais para proteger os recursos da Caja Fiscal e os aportes de aposentadorias aplicados na instituição financeira em falência.
Além dos docentes, estudantes da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nacional de Assunção (UNA) e entidades civis de cidades do interior, como Villarrica, somaram-se aos atos públicos cobrando a prisão efetiva de Peña e de executivos do banco. O Ministério Público investiga o ex-presidente por lesão de confiança, tráfico de influência e administração em benefício próprio.

