Série documental

Como teve início a Longa Marcha: o governo soviético em Ruijin e o cerco de 1934

Episódio de estreia da série do BdF aborda causas da Longa Marcha e primeira experiência de governo socialista da China

Yang Hua, veterano militar e descendente de soldado do Exército Vermelho canta uma canção vermelha em dialeto local, em frente à antiga sede do governo soviético da China, em Ruijin, província de Jiangxi
Yang Hua, veterano militar e descendente de soldado do Exército Vermelho canta uma canção vermelha em dialeto local, em frente à antiga sede do governo soviético da China, em Ruijin, província de Jiangxi, | Crédito: Mauro Ramos / Brasil de Fato

O primeiro capítulo de Como a Longa Marcha Forjou a Nova China mostra a primeira experiência de Estado que o Partido Comunista construiu em Ruijin, no sul da China, entre 1931 e 1934, e o cerco que o derrubou.

A República Soviética da China foi proclamada em novembro de 1931, quatro anos depois de o Kuomintang (Partido Nacionalista da China) trair a aliança e massacrar comunistas em Xangai e em Nanjing. Em 1921, diversos grupos do país fundaram o Partido Comunista da China (PCCh) em Xangai, e em 1924 os dois partidos se aliaram para unificar o país. O PCCh fez diferentes levantes no país e terminou se centrando no campo.

O governo soviético de Ruijin aprovou a Lei Agrária, que confiscou e redistribuiu as terras dos latifundiários, e a Lei do Casamento, pela qual as mulheres conquistaram o direito de escolher com quem casar e de se divorciar.

“Foi o primeiro poder político democrático de operários e camponeses da China”, conta Zhong Yanlin, pesquisador do escritório de história do Partido em Ruijin. “Embora fosse uma governança parcial exercida pelo Partido Comunista da China, ela impulsionou a construção nas áreas militar, política, cultural e social. Serviu como importante precursor experimental para a governança estatal da República Popular”, explica.

Confira o primeiro episódio:

Nas quatro primeiras campanhas de cerco, Mao Zedong evitou o confronto direto e atraiu o inimigo para dentro da base, como descreve Zhang Xiaoling, chefe de pesquisa do memorial da Conferência de Zunyi. Na quinta campanha, entre 1933 e 1934, o Kuomintang aumentou o número de soldados para mais de 500 mil, instalando trincheiras e fortalezas ligadas por estradas. Acabou reduzindo o território soviético chinês a algumas poucas cidades.

“Para além desses fatores, a causa principal [da derrota] foi a liderança equivocada de Bo Gu, chefe do Comitê Central Provisório, e de Otto Braun, assessor militar enviado pela Internacional Comunista”, diz Hu Changyong, pesquisador do Instituto Central de História do Partido. “Suas orientações errôneas levaram à derrota”, completa.

Em maio de 1934, o Secretariado do Comitê Central decidiu romper o bloqueio. Em julho, a direção se transferiu para Fenglong, de onde saiu a ordem de partir. Fang Rongyu, que percorre as rotas da marcha desde 2006 e já entrevistou 75 veteranos, fecha o capítulo.

A série tem cinco capítulos e estreia neste sábado (7) no canal do Brasil de Fato no YouTube. O segundo capítulo trata da partida pelo rio Yudu e da derrota no rio Xiang.

Editado por: Rodrigo Gomes

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