O papa Leão XIV defendeu a dignidade do trabalhador e criticou a medição do valor humano a partir de critérios econômicos ou de rendimento durante seu primeiro pronunciamento oficial no Uruguai, na Praça da Independência, em Montevidéu, nesta sexta-feira (6).
Neste sábado (7), o pontífice celebrou a primeira missa de sua viagem apostólica no Parque París Londres, na cidade de Paysandú. Perante milhares de fiéis reunidos na região de fronteira, o líder católico utilizou a tradição popular do mate como símbolo de acolhida e unidade, convocando a comunidade a construir pontes e partilhar recursos com as populações em situação de vulnerabilidade social.
No discurso dirigido a autoridades, diplomatas e representantes da sociedade civil, na sexta-feira, o pontífice enfatizou que a vida humana possui valor intrínseco em todas as suas fases.
“Não se pode medir o valor de uma pessoa pelo que ela produz, pelo seu trabalho ou pela sua habilidade de se valer por si própria”, declarou o líder religioso na solenidade realizada no centro da capital uruguaia.
Ao abordar as transformações no mundo do trabalho, Leão XIV ressaltou a importância da preservação dos empregos frente ao avanço acelerado de novas ferramentas tecnológicas e da inteligência artificial.
Segundo o líder religioso, as inovações no setor produtivo não podem se sobrepor às garantias sociais nem reduzir a pessoa à sua capacidade de gerar riqueza.
Saúde universal
Em sua fala, Leão XIV também associou a defesa do trabalhador ao acesso universal aos serviços de saúde pública. Ao mencionar a recente cirurgia no pulmão direito a que foi submetido para a retirada de um tumor, o pontífice afirmou que a garantia de atendimento médico a toda a população constitui um dever coletivo da sociedade.
“Garantir que os cuidados de saúde estejam ao alcance de todas as pessoas, independentemente dos seus recursos, é uma responsabilidade que interpela toda a sociedade”, afirmou o Papa.
O líder católico encerrou o pronunciamento apontando que o combate à solidão e o amparo às famílias vulneráveis exigem a construção de pontes e o fortalecimento de redes de apoio comunitário.
A agenda do Papa no continente sul-americano prevê ainda celebrações no Uruguai e passagens pela Argentina e pelo Peru ao longo de 11 dias.

